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“Hora do Planeta”, voluntarismo ingênuo e poder global

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A edição de 2009 do apagão voluntário, chamado pelos marketeiros ecológicos de “Hora do Planeta”, tem data marcada: 28 de março às 20:30. Trata-se de um “ato simbólico para sensibilizar e pressionar as autoridades sobre a necessidade de combater o aquecimento global”. A partir dessa hora, os participantes se submetem a apagar todas as luzes de suas residências por uma hora. Os organizadores têm nome e estão sob a pele do ursinho da WWF. Particularmente, irei alugar um daqueles imensos holofotes de indicação de eventos e utilizá-lo nesse dia, um dia de comemoração.

Esse tipo de manifestação é realmente tocante ao espírito do cidadão bem-pensante. Ora, dirão, “as autoridades se sentirão pressionadas com nossa demonstração de organização mundial e poder de mobilização que cedo ou tarde terão que ceder às nossas exigências de seres humanos que somos”. Mas será que é assim que o poder funciona?

Em todos os tempos, quem organiza pessoas em prol de algo é quem de fato detém o poder. A capacidade de fazer com que o mundo curve-se à idéia de que algo precisa ser mudado é que distingue quem tem poder dos que têm apenas belos ideais ou nem tanto. Os voluntários são os desconhecidos que fazem com que a operação se realize na ponta, meros agentes passivos, por mais irônico que soe. Somente mediante um giro mental os passivos sentirão que têm poder na equação. E esse giro mental é o produto de toda a propaganda do “faça sua parte”. Fazer parte é a chave para a felicidade do bom-moço. Já o que é a sua parte você não decide.

Por exemplo: a idéia de aquecimento global tem sido divulgada em escala mundial de modo a obrigar alguns países a se submeter a políticas restritivas ao desenvolvimento humano. Se aplicadas as diretrizes do protocolo de Kyoto (que já possui um sucessor), países como o Brasil e os Estados Unidos por exemplo, seriam obrigados a produzir alimentos e explorar uma parte ínfima de seus territórios. Todo o restante seria protegido e legislado pela ONU, as chamadas zonas “buffer”. A mesma ONU que tem criticado o aumento nos preços dos alimentos quer impedir que se produza alimentos mediante a sustentabilidade impossível.

Já outros países jamais serão submetidos ou, ainda que submetidos, é evidente que não cumprirão protocolos que os prejudiquem, como a China e a Rússia. Isso é política e não belos ideais de novas gerações neo-hippies. Os neo-hippies entram como a propaganda necessária, o ideal que nunca morre, os portadores da chama da revolução. Eles não estão nem na China nem na Rússia. Após as várias refutações da teoria do aquecimento global, seus próprios criadores acharam por bem amenizar o termo e legislar sobre as “mudanças climáticas”, termo geral, expansível ao infinito.

Um amigo, astutamente, me pergunta: “Tal apagão não poderia gerar uma catástrofe no sistema de distribuição de energia, dado que um balanço entre oferta e demanda deveria ser mantido?” Não sei se a resposta é sim ou não. Só sei que, se o movimento crescer e as prefeituras forem obrigadas pelos ativistas a apagarem as luzes das ruas e avenidas, a coisa ficará preta. 

Todos os ativistas e seus patrões apelam ao coração do cidadão, fazendo do ser humano um neném chorão, prestes a pedir a chupeta ou a papinha. Têm utilizado o chamado “soft power” a seu bel prazer, girando a humanidade de cabeça para baixo várias vezes ao ano. Apelam ao simbolismo tosco e infantilizante em todas as ocasiões.

Eis que dessa vez fica bastante claro o simbolismo do movimento ecologista. Escuridão remete a trevas, cavernas, estado basal, cessação de atividade criativa. Bem ao gosto daqueles que podem se dar ao luxo de nada fazer e ainda assim receber muito por isso.

 

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