Certeza mesmo é que ainda faltam fissuras pelas quais penetre o bom senso nas decisões políticas a respeito de tema tão importante.
Conforme clipping publicado pelo M@M dia 29/12/2009, intitulado UFPR em pesquisa na Antártida, a versão online do jornal curitibano O Estado do Paraná apresentou breve reportagem sobre duas expedições à Antártida, uma de novembro do ano que vem a março de 2011, e outra de novembro de 2011 a março de 2012, compostas por pesquisadores brasileiros da UFPR, USP e outros da Argentina, Inglaterra e Itália. Um dos projetos da expedição é “[...]descobrir se este aquecimento (sic) se deve unicamente à ação humana, aos fenômenos naturais ou, ainda, aos dois fatores juntos”. Tais perguntas estão no bojo da reconstrução paleoceanográfica do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Descontando o tom um tanto quanto bairrista, pelo destaque ao papel da UFPR, é interessante e oportuno notar que, apesar de o estudo do “aquecimento” ainda ser o mote do projeto, aparentemente não mais se verifica uma postura monolítica de atribuição da responsabilidade exclusiva e equivocada do “aquecimento” às atividades humanas (i.e., a pseudoteoria do AGA). O professor adjunto da UFPR e coordenador da pós-graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos, César de Castro Martins, pergunta: “Será que o aquecimento global é proveniente apenas da ação humana ou será que pode ser um ciclo natural? Será que há cerca de dez, 30 mil anos, não tivemos resfriamentos ou aquecimentos?”, pontua Martins. O que já se sabe, segundo o professor, é que houve, sim, períodos de aquecimento, outros de resfriamento. “Na paleoceanografia buscamos estudar o passado para entender o que acontece hoje”, explica. Isso não é nenhuma novidade e o leitor do M@M já pôde comprovar a falácia do AGA em nosso editoria de Ambientalismo, onde 30 artigos, mais alguns vídeos indicados e inúmeros clippings demonstram que a hipótese do aquecimento global antropogênico nada tem de ciência e tudo de manipulação ideológica e político-financeira.
Outro fato importante e inusitado foi a publicação de um artigo na revista científica Nature em 19 novembro de 2009. Segundo informação que recebemos de um conceituadíssimo climatologista brasileiro “A Nature, n° 429, de 18 de novembro de 2009, publicou artigo de uma equipe inglesa liderada por Louise Sime, utilizando cilindros de gelo da Antártida, e que mostrou que as temperaturas dos 3 últimos interglaciais (130 mil, 240 mil e 340 mil anos atrás) foram 6°C a 10°C mais elevadas que a atual. Confira e creio que seria interessante divulgar uma nota. Afinal, a Nature é uma das que bota fogo no mundo!” Certamente, e eu ainda pergunto: será que houve três misteriosas Revoluções Industriais em períodos nos quais nem sequer os primeiros homo sapiens perambulavam pela África, quanto mais na Antártida? É uma hipótese tão absurda que só posso comentá-la em tom de piada: quem sabe não foram os antepassados remotos de Michael Mann, Rajendra Pachauri, Barack Obama e Lula da Silva os responsáveis por esses aquecimentos “inexplicáveis”, hein?
O fato ganha relevância por que a Nature é mesmo um dos grandes templos do catastrofismo ambientalista com base na pseudoteoria do AGA, auto-intitulada a “melhor publicação científica especializada”, e se abriu essa pequena brecha, quase escondida sob toneladas de outros artigos defendendo o inexistente consenso científico sobre o AGA, talvez seja isso um sinal de que as fissuras na barragem estejam aumentando. Note que o artigo foi publicado em 18/11, portanto estava pronto muito antes das primeiras notícias do vazamento de email e arquivos de East Anglia, o Climategate, em 20/11/2009. Na verdade, outro artigo em 2008, da mesma autora e na mesma revista, já dava conta das temperaturas mais altas na interglacial mais antiga (340 mil anos atrás; leia trecho aqui: http://researchpages.net/people/louise-sime/ ), mas a Nature dificulta bastante a compra do artigo integral se você não for do meio acadêmico, de algum governo ou ONG. Parece até um controle de danos por antecipação.
Duas publicações bastante diferentes: uma local e pouco afeita à cobertura de assuntos científicos; a outra, “especializada”, mas as duas veiculando algo um pouco diferente da unanimidade fraudulenta. Um começo de guinada? Difícil dizer, mas não custa acompanhar.
Os assinantes da Nature podem acessar o artigo completo aqui: http://www.nature.com/news/2009/091118/full/news.2009.1094.html “Antarctic temperature spike surprises climate researchers” [Resultados de perfurações no gelo da Antártida para a medição de temperaturas surpreendem pesquisadores do clima] “Polar region was unexpectedly warm between ice ages” [Região polar foi inesperadamente quente entre as eras glaciais (períodos interglaciais)].
Pois é. Aos poucos, aquilo que outros pesquisadores já afirmavam há muito tempo, começa a ganhar pequeno espaço nas páginas de veículos que, ou ocultaram tais fatos, ou nunca tiveram a menor idéia sobre o tema. Já é um começo. Assim que possível, tentarei um resumo traduzido desse artigo, a ser publicado conforme a programação do M@M.
Porém, nem tudo caminha no sentido da retomada do bom senso e da verdadeira postura científica. Na volta do espetáculo global em Copenhague, nesta segunda-feira, dia 28/12, o Presidente Lula sancionou lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas com três vetos ao texto. Um dos pontos vetados é o que proíbe o contingenciamento de recursos com ações de enfrentamento das alterações climáticas. “A lei que o presidente sanciona hoje [28/12/2009] determina a elaboração de um decreto com as metas que cada setor deverá assumir para contribuir com a redução das mudanças climáticas”.
Em janeiro serão realizadas reuniões com governos, acadêmicos e empresários de áreas como construção civil, mineração, setor agropecuário, indústria de bens de consumo, de serviços de saúde e transporte público para discutir as metas que constarão no decreto presidencial. Não é incrível? A lei foi sancionada antes da consulta aos interessados, em mais uma demonstração de que, em termos políticos, valem as versões com potencial de capitalização eleitoral, e não os fatos. Só o tempo dirá o quanto e de que maneira essa legislação afetará o nosso cotidiano.
Leia mais aqui: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4177654-EI238,00-Lula+sanciona+com+vetos+lei+que+institui+politicas+climaticas.html









É verdade que a Nature tentou "tapar o sol (superaquecido pela ação humana, é claro) com a peneira" sobre os e-mails vazados no Climagate? É o que eu sei, mas não sei qual foi a justificativa que essa revista "especializada" usou sobre os dados manipulados. Se souberem de alguma coisa, agradeço desde já.