Políticos não-esquerdistas continuam com a desagradável mania de lembrar que são seres humanos
É chocante como gente como Silvio Berlusconi ou Goeorge W. Bush periodidamente aparece na mídia exibindo defeitos e imperfeições tão genuinamente humanas. A imprensa chique e esquerdista costuma ser intolerante com tais "desvios de comportamento", como o observado agora em relação à Republicana Sarah Palin durante uma tea party.
A candidata derrotada à vice-presidência dos EUA foi flagrada com anotações à caneta na mão durante seu discurso (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1483422-5602,00-SARAH+PALIN+E+CRITICADA+POR+ESCREVER+COLA+NA+MAO+DURANTE+DISCURSO+NOS+EUA.html).
As anotações traziam aqueles que seriam provavelmente os principais pontos de sua fala: palavras como "energia" e "impostos".
Difícil dizer o que é mais ridículo: a importância dada a um fato visivelmente desimportante ou a surpresa forçada da imprensa em admitir que políticos são seres humanos como outros quaisquer, e não super-heróis que têm todas as respostas, com faculdades sobre-humanas capazes de dar soluções a todas os dilemas do drama humano.
Bem, o fato é que a imensa maioria dos jornalistas comporta-se como adolescentes apaixonadas quando o assunto é Barack Obama ou Lula, por exemplo - estes dois tratados exemplarmente como heróis ou semideuses, dos quais ninguém parece capaz de notar defeitos ou venalidades. O espanto com falhas bobas e banais de políticos não-esquerdistas diz mais sobre a dócil submissão da mídia aos seus ídolos esquerdistas (que "jamais erram", que sabem todas as respostas, que nunca gaguejam ou tropeçam nos eventos públicos) do que os erros e gafes dos políticos em si diz sobre estes últimos.



















O Obama não fala uma palavra sem ter à frente um teleprompter com um texto previamente escrito pelos assessores. Palin escreveu três ou quatro palavras na mão. Ele é tratado como Messias; ela, como uma jumenta. Essa é a nossa imprensa (e a do resto do mundo não está muito melhor). Hoje uma moça quis me vender um mês de assinatura do Estadão por 1 real, numa dessas estratégias comerciais extravagantes. Não comprei. Não vale.