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O New York Times e a 'Proibição de Livros'

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No clássico do cinema, Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses), não há como não compartilhar dos sentimentos de Norma Desmond. Ela transformou a nostalgia, a senilidade e a decrepitude em coisas merecedoras de alguma pena, mas também, em coisas charmosas.

O New York Times, com o valor de suas ações “no porão” e contorcendo-se sob a pressão de um controvertido magnata estrangeiro, faz as mesmas coisas parecerem gastas, ordinárias, mal cheirosas e patéticas.  A maioria dos americanos aplaude o “envolvimento dos pais” na educação de seus filhos. Mas um recente editorial do New York Times deprecia e avilta tal envolvimento. “Banning Books in Miami” [“Proibição de Livros em Miami”] é o estardalhaço que faz a manchete editorial de 10 de fevereiro. “A decisão do Conselho Escolar do Condado de Miami-Dade é não apenas inconstitucional, é contraproducente. Se o comitê escolar deseja se opor ao totalitarismo do regime de Castro, proibir livros é uma estranha maneira de lidar com o assunto”.

A definição que o New York Times dá a “proibição de livros” tem uma aplicação excruciantemente seletiva. Quer dizer: em 2006, uma série de livros infantis intitulada Let’s Go to Cuba e que retrata a Cuba stalinista como se esta fosse uma combinação da Cidade das Esmeraldas [Mágico de Oz] e da Fantástica Fábrica de Chocolate de Willy Wonka, foi fornecido para as bibliotecas das escolas públicas de Miami-Dade. Em Miami, pais americanos de origem cubana, muitos deles ex-prisioneiros políticos cubanos com as cicatrizes para provar o seu passado, perceberam que esses livros estavam abarrotados das usuais mentiras acadêmicas sobre Cuba, mas na linguagem de um Garibaldo de Vila Sésamo, para crianças de nove anos de idade. Em consequência, os pais protocolaram uma queixa junto ao conselho, que votou pela remoção dos livros.

“Conselho Escolar de Miami-Dade Proíbe Livro Sobre Cuba”, ribombava uma manchete do New York Times da época. A ACLU também se declarou escandalizada e moveu ação judicial pela manutenção do livro.

Na semana passada, um colegiado da Corte Federal de Apelações em Atlanta decidiu que o Conselho escolar de Miami-Dade tem “o direito de aplicar a acurácia [dos textos] como critério em propósitos educacionais”. A Corte de Apelações ressaltou que, de fato, o livro “continha erros factuais que distorcem como realmente é a vida naquela ditadura”. Portanto, a “proibição” do livro se mantém, assim como a de centenas de outros ao longo dos anos, do Atlântico ao Pacífico.

Antes de choramingar sobre uma suposta “Proibição de Livros!”, qualquer “repórter” do New York Times poderia ter telefonado para a Associação Americana de Bibliotecas e descobriria, por exemplo, que de 1990 a 2000, mais de seis mil protestos e queixas foram apresentados por pais americanos contra bibliotecas escolares. Para cada protesto efetivamente registrado, a Associação estima que mais quatro ou cinco não são registrados. Na verdade, uma decisão da Suprema Corte emitida em 1982 por ninguém menos que William Brennan, Jr. , dizia que os conselhos escolares tinham “plena liberdade de ação na administração de assuntos escolares”, acrescentando que se esses removessem um livro com base em sua “adequabilidade educacional”, tal ação “não seria inconstitucional”.

De acordo com a Associação Americana de Bibliotecas, ao longo das últimas duas décadas, todo ano há registro de quatrocentos a seiscentos protestos contra livros adotados nas escolas dos Estados Unidos, sendo que a maioria dizendo respeito a material considerado “racialmente insensível”, a exemplo de quando As Aventuras de Huckleberry Finn [clássico da literatura americana, de autoria de Mark Twain, publicado em1885] foram arrancadas de uma escola no Estado de Illinois. The Tales of Uncle Remus e Little Black Sambo já foram abatidos há muito tempo.

Em resumo, tentativas de “proibição de livros”, idênticas a essa em Miami-Dade (mas não envolvendo qualquer desrespeito a Fidel Castro ou Che Guevara), ocorreram à base de uma por dia durante as duas últimas décadas, do Atlântico ao Pacífico. Na maioria delas, a ACLU e o New York Times permaneceram notavelmente mudos.

Mas ah! Deixe que aqueles insuportáveis direitistas cubano-americanos tentem! Deixe-os tentar denegrir os principais heróis da esquerda! Então a ACLU prontamente soará alto os seus clarins e seus camaradas na mídia fingirão expressões sisudas enquanto gritos de “censura!” e “proibição de livros” inundarão as transmissões de TV e as manchetes de jornais.

O Céu é testemunha de que o eixo mídia/academia dão a Castro e Che publicidade grátis e bajulação em quantidade suficiente. Alguns contribuintes de Miami-Dade simplesmente recusaram-se a continuar subsidiando essa idiotia maligna, do mesmo modo que milhões de contribuintes pelos Estados Unidos afora se recusaram a subsidiar de obras que iam de Heather Has Two Mommies a Huckleberry Finn, passando por O Apanhador nos Campos de Centeio e Harry Potter – isso sem um pio da ACLU e do New York Times – a menos que fosse de elogio.

Para que ninguém se esqueça, é bom dizer que os conselhos escolares são eleitos por suas comunidades. Eles não têm poder para “banir” ou “censurar” o que quer que seja em nível nacional – nem mesmo regional: teatro, cinema ou material impresso. Esse mesmo livro asinino “banido” a pedido dos pais cubano-americanos pode ser empilhado diante das vitrines de uma livraria ao lado da biblioteca da escola. De fato, livros vinte vezes mais asininos, começando com o de Che Guevara, Guerra de Guerrilha: Um Método (escrito por alguém que nunca lutou numa guerra de guerrilha) e passando pela “obra” de Fidel Castro, A História Me Absolverá (escrito pelo mais desavergonhado mentiroso da história moderna), já cobrem o cenário literário e influenciam de maneira acachapante as descrições que a mídia e a academia, nos Estados e no mundo, fazem de Cuba, o que explica a sua quase uniforme absurdidade.

Muitos pais de Miami têm cicatrizes em seus corpos e fotografias de entes queridos assassinados; eles refutam as idiotices que ensinam a seus filhos nas escolas que eles mesmos mantêm. Mas deixe-os tentar o mesmo envolvimento parental e a mesma abordagem constitucional de seus compatriotas e o New York Times prontamente se lançará sobre eles como se estes fossem “censores” caipiras vis, enquanto todas as outras objeções de pais significam disseminar a “tolerância” e a “sensibilidade” e “manter os valores da comunidade”. Essa discrepância verbal pode ser mais bem explicada por George Orwell, que cunhou o termo “Novilíngua”   

Aparentemente, os cubano-americanos têm uma consideração maior para com seus Founding Fathers adotivos do que o eminente staff do New York Times. “Forçar um homem a fazer contribuições em dinheiro para a propagação de opiniões nas quais ele não crê e abomina é pecaminoso e tirânico”. (Thomas Jefferson)

Em certo sentido, o New York Times imita Nora Desmond; lá eles sofrem por seus antigos dias de glória – os dias em que toda e qualquer imbecilidade sobre Fidel Castro impressa no New York Times tornava-se o assunto de discussão no mundo político de Washington:

“Fidel Castro tem idéias firmes sobre liberdade, democracia, justiça social e a necessidade de restaurar a Constituição... mas isso significa um novo pacto para Cuba... radical, democrático e, portanto, anticomunista”. (Herbert Matthews, New York Times, Fevereiro de 1957).

“Esta não é uma revolução comunista, em qualquer sentido do termo. Fidel Castro não apenas não é comunista, como é, decididamente, anticomunista.” (Herbert Matthews, New York Times, Julho de 1959).

“Seria um grande erro até mesmo insinuar que a Cuba de Castro tem alguma perspectiva real de se tornar um satélite soviético”. (Walter Lippmann, Washington Post, Julho de 1959).

“Fidel Castro é um jovem bom tentando fazer o que é melhor para Cuba. Nós deveríamos estender-lhe a mão”. (Ex-presidente Harry Truman, Julho de 1959).

“Que cachorrinho esperto, Fidelito! Quando é que você nos visitará novamente? E será com a barba ou sem a barba?”. (Edward Murrow, Rede CBS de TV, Fevereiro de 1959).

Em 1959, todas as noites, dezenas de patriotas cubanos caiam diante de pelotões de fuzilamento, enquanto Fidel, Raúl e Che recolhiam-se às suas respectivas mansões roubadas e se encontravam com agente da GRU (inteligência militar soviética) para dar os retoques finais à comunização completa de Cuba. Muitos refugiados cubanos desesperadamente batiam às portas da agência de notícias e do Departamento de Estado americanos tentando passar essa informação.  Que hora infeliz! À época, esse detalhe não se qualificava como “toda a notícia própria para a impressão”.   

NT: ACLU – American Civil Liberties Union: É uma instituição que hoje conta com mais de 500.000 membros, incluindo milhares de advogados, empenhados em quase todo tipo de ativismo político-cultural de esquerda.

Publicado originalmente em American Thinker em 17.02.2009

Tradução: Henrique Paul Dmyterko

 

 

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