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Genocídio: Reconhecimento tardio ou pressão política também atrasada?

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Genocídio: Reconhecimento tardio ou pressão política também atrasada? 
 
Na quinta-feira, 03/03/2010, um comitê da Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma resolução declarando que o massacre de armênios por turcos otomanos  à época da I Guerra Mundial (1915)  foi um genocídio.  
Por 23 a 22 votos, o  Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA endossou essa resolução, apesar do “pedido” de Obama para que o Congresso não ofendesse a Turquia.
 
A resolução ainda precisa passar pelo plenário da Câmara, o que ainda é uma incerteza, mas alguns fatos chamam a atenção:
 
·         Há décadas que grupos de armênios vêm pressionando por esse reconhecimento e Washington sempre optou  por deixar o tema de lado, uma vez que a Turquia é membro da OTAN.  Por que essa aprovação agora, mesmo que preliminar? Sucessivos presidentes americanos conseguiram manobrar para evitar a aprovação de moções semelhantes, sempre em nome do “status especial” das relações turco-americanas.  Segundo analistas, desta vez e até agora, Obama fez um esforço  apenas perfunctório no sentido de esvaziar a iniciativa do Congresso, o que indicaria uma pressão para que a Turquia cedesse e retirasse tropas de zonas de tampão no Azerbaijão, em disputa com a Armênia, p.ex.
 
·         Apesar de não haver certeza de que essa recomendação do comitê vá adiante, a Turquia imediatamente chamou de volta seu embaixador em Washington, o que em linguagem diplomática é um protesto veemente. Fontes em Ankara consideram totalmente contraproducente qualquer pressão dos Estados Unidos.
 
·         Esse recado velado talvez seja resultado das posturas recentes da Turquia, as quais  dificilmente a colocariam na posição de aliado indiscutível dos EUA na região, especialmente com relação ao Irã. Leia análise mais aprofundada sobre este ponto em artigo de Daniel Pipes publicado no M@M: Turquia: Não é mais uma aliada (02 de dezembro de 2009). O que parece certo é que Washington ainda não sabe bem como lidar com a súbita mudança de atitude do governo turco: “Como observa Barry Rubin, “o governo turco está mais próximo politicamente do Irã e Síria do que dos Estados Unidos e Israel”. Caroline Glick, uma colunista do Jerusalem Post, vai mais além: Ankara já “deixou a aliança Ocidental e se tornou um membro integral do eixo iraniano”. Mas círculos oficiais no Ocidente aparentam estar praticamente alheios a esta importante mudança nas alianças da Turquia e suas implicações”.
 
Leia mais (em inglês)aqui: http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704187204575101420718337134.html?mod=djemalertNEWS e aqui:
 
http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704541304575099843692377622.html?mod=WSJ_WSJ_US_PoliticsNCampaign_4

Atualização: Na última semana, o governo turco prendeu dezenas de oficiais militares de alta patente, além de silenciar dois dos maiores veículos da mídia local e aumentar a pressão sobre o judiciário do país. As ações do governo turco seguem o modelo de Putin.




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Comentários (1)
1 Sex, 05 de março de 2010 12:30
Evelin Fróes

Se a Turquia não é mais aliada dos Estados Unidos então o Presidente Obama não tem razão em querer evitar ofender a Turquia. Sua recusa em apoiar uma resolução em favor dos armênios mostra que seus discursos não condizem com suas práticas. Ele está a passar a seguinte mensagem ao mundo e principalmente aos armênios: "No, We Cannot." Obama é um Lobo em pele de Cordeiro! E covarde também!

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