Mídia@Mais

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

Nosso caríssimo presidente

E-mail Imprimir PDF

Afinal, quem é esse cowboy que o Lula escolheu como símbolo de resistência democrática num continente dominado pelos ardilosos do Foro de São Paulo que ele e Fidel inventaram, peritos em usar os instrumentos da democracia contra ela própria? Manuel Zelaya é homem de posses e poses, herdeiro de um grande empresário hondurenho, foi deputado do Partido Liberal e se elegeu presidente em 2005 com votos do centro para a direita, como opositor ao governo do esquerdista Ricardo Maduro.

 Durante o exercício do mandato, malgré tout, Zelaya foi gradualmente virando bolivariano, atraído pelo petróleo do vizinho Hugo Chávez e pelas facilidades proporcionadas pela Petrocaribe, instrumento importante para a geopolítica chavista na região. A Petrocaribe é um consórcio que opera com petróleo venezuelano para fornecê-lo aos países parceiros por preços inferiores aos do mercado internacional, num modelo operacional que Chávez denomina “petro-socialismo”. A sua Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) já inclui, além da Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba, Nicarágua, Dominica, as ilhas São Vicente e Granadinas, Antigua e Barbuda, e Honduras. Tem a simpatia da Argentina, do Chile, do Paraguai e do Haiti, mas o nosso Lula está convencido de ser o rei da cocada preta no continente.

Resumindo a ópera, Zelaya mudou de lado. Trocou de eleitorado e de base parlamentar, ficou com ampla minoria no Congresso e sua aprovação popular caiu para 25%. Foi em parte por isso que a imprensa brasileira que se deslocou para Honduras chamando o governo de Micheletti de golpista (certa jornalista chegou deixou escapar a expressão “junta militar”) se surpreendeu com a aversão hondurenha aos brasileiros e percebeu a repulsa do país à nossa intromissão nos seus assuntos internos. Não são apenas caras de poucos amigos. É um berreiro das ruas, perfeitamente audível: “Brasileiros go home!”. E o nosso rei da cocada preta não percebe o papelão que faz nem o constrangimento que nos impõe.
 
Pois bem. Ou, pois mal. Desnecessário reiterar aqui tudo que já escrevi sobre o caso de Honduras (ler no meu blog www.puggina.org). Não houve golpe nem contragolpe. Houve apenas o estrito cumprimento de determinações judiciais e dos preceitos constitucionais. Ainda que dúvida surgisse, a única instituição competente para esclarecê-la é a Suprema Corte hondurenha. E ela já o fez, em solene Comunicado Especial, “urbi et orbi” (www.poderjudicial.gob.hn e, em seguida, procure no link “Comunicados especiales” o “Comunicado de 20 de Julio”).  Está ali, para ONU, OEA, Lula e todos os lulistas lerem. O resto é mera opinião que não justifica tamanha interferência em assunto interno de uma nação soberana e democrática. Binômio constrangedor para nós: pequena nação e enorme intromissão brasileira. Lula não agiria do mesmo modo se o episódio se passasse na Argentina.
 
Mas isso é ocioso repetir. O ponto, aqui, é o sistema de governo em si. Que coisa mais arcaica e pouco democrática um modelo que permite ao chefe de Estado e de governo mudar de lado, de programa, de parceria e até de eleitores, sem qualquer conseqüência! Sim, porque se Zelaya não tivesse incorrido em delito de traição à pátria, permaneceria no governo, como ficou até julho, agindo como antônimo de si mesmo. Completo absurdo.
 
“E o rei da cocada preta?”, perguntará o eleitor. Pois é. Ele está custando muito caro ao Brasil. Por isso, ficará conhecido como nosso caríssimo presidente.



Reddit! Del.icio.us! Mixx! Free and Open Source Software News Google! Live! Facebook! StumbleUpon! Yahoo! Free Joomla PHP extensions, software, information and tutorials.
 

Adicionar comentário

Seu apelido/nome:
Comentário:
  Palavras para verificação. Apenas palavras em caixa baixa sem espaços.
Verificação de palavras:

Clique para ver a lista de artigos deste autor

NEWSLETTER



Clipping@Mais

Apostando na crise

Como todo bom ditador, Chávez aposta no acirramento de tensões para desviar de seu governo o foco das atenções.

Leia mais...
 

Pensador, cineasta, escritor e bom de negócio: "cidadania" também tem limite

Você provavelmente já ouviu falar de Sócrates e Platão, mas talvez jamais tenha ouvido falar de MV Bill. Pois bem: para que você não fique desinformado, ele mesmo trata de explicar num comercial de TV que é, entre outras atribuições, um "pensador". Ou seja: ele poupou a humanidade de gastar séculos para decidir se sua "obra" tinha ou não relevância e resolveu carimbar logo a si próprio.

Leia mais...
 

Atriz brasileira aprende a ficar "na moral" em novo momento da democracia brasileira

Regina Duarte é, possivelmente e por tudo que realizou ao longo da carreira, a maior atriz brasileira viva. Mas esse fato por sí só está longe de ser suficiente para garantir a ela duas coisas: trabalho e o direito de dizer o que pensa sobre política.

Leia mais...
 

Enquanto isso, novo órgão da ONU vai pôr preço nos 'serviços prestados' pelo planeta Terra...
 
Objetivo é oferecer aos países uma estimativa do valor econômico de 'serviços naturais' como a polinização.
Leia mais...
 

Senado americano “repensa” esforço para reduzir emissões de CO2

Os Democratas abriram mão da peça central do plano energético de Barack Obama, na medida em que o chamada Cap&Trade não consegue atrair apoio no Congresso americano, cuja maioria é ainda Democrata. Com as eleições em novembro, essa maioria pode diminuir ou até mesmo se inverter.

Leia mais...
 

China ultrapassa Estados Unidos no consumo total de energia

Impulsionada por anos de rápido crescimento econômico, a China é agora o maior consumidor mundial de energia,  desbancando os Estados Unidos, que ocupavam a 1ª posição por mais de um século. Os dados são da Agência Internacional de Energia.  Em 2009, a China devorou 2,252 bilhões de toneladas equivalentes em petróleo, ou cerca de 4% a mais que os EUA, que consumiram 2,170 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo. Um  toe (metric ton oil-equivalent) é igual a  11,63 MWh, e representa todas as formas de energia consumida, incluindo petróleo, carvão, gás natura e todas as formas de energia renovável, especialmente a hidroelétrica.

Leia mais...
 

Humor

Análise

Editor Chefe: Roberto Ferraracio
Redação: Paulo Zamboni e Gerson Faria