Adominação elitista das democracias contemporâneas surge do fato de que elites transnacionais e domésticas são capazes de bloquear a responsabilização por seus atos [accountability]. Elites transnacionais buscam influência sobre parlamentos, mídia e academia em conjunto com elementos domésticos, desejando libertar-se da responsabilização. Essas elites estão confortavelmente instaladas em capitais financeiros que se evadem dos controles dos estados-nação. Às vezes denominadas “o mundo superior” [overworld], tais elites, fora do controle de estados individuais, vêem-se como gerentes da economia global e influenciadoras de atitudes em âmbito mundial.
O trecho acima foi traduzido do livro Drug Politics, Dirty Money and Democracies, de David C. Jordan, 1999, pp 46 e 47. O autor dá uma explicação sucinta de um imenso esquema de poder, observado no mundo inteiro, que tem substituído os mecanismos de controle democráticos. O parágrafo abaixo, extraído do artigo de Rachel Ehrenfeld, ObamaCare’s Medical Marijuana, traz um exemplo de uma famosa organização desse tipo, em plena atividade há mais de uma década:
Até o início dos anos 1990, as vozes da legalização das drogas ainda não estavam sincronizadas. Isso mudou quando da primeira aventura de George Soros na política doméstica dos EUA, em 1992-1993. Soros declarou: “A guerra das drogas está causando mais danos à nossa sociedade do que o próprio abuso de drogas” e continuou protagonizando [na política de legalização das drogas], com seu talão de cheques, por meio de seu Open Society Institute (OSI), efetuando doações em torno de US$15 milhões para estabelecer e financiar várias organizações de legalização de drogas. A partir daí, ele e amigos de mesmo pensamento despejaram milhões em diferentes programas com vistas à legalização das drogas.
Fernando Henrique Cardoso, 78, que segundo a Wikipédia possui apenas seis livros publicados em cinco ou mais décadas de vida produtiva, ao menos dois deles autobiográficos e nenhum de teoria sociológica considerada séria, tem feito o papel de “elemento doméstico” da descrição acima.
Bolsista da Fundação Ford dos tempos de Cepal, hoje é ativista cuja ONG de onde é estrela é
financiada pelo especulador bilionário George Soros. FHC tem repetido aqui a catilinária do financiador, o Open Society Institute, no afã de legalizar, inicialmente, a maconha. Reconhecido como intelectual, talvez seja lícito perguntar quantos livros escreveu sobre o assunto das drogas. Aparentemente nenhum. E quantos já leu? Pelo tom de propaganda do senso comum pró-liberação, não-teórico e ativista que vem apresentando, talvez alguns livretos do próprio OSI e assemelhados. Que fique claro: ele não está representando o desejo político do povo brasileiro, está representando o de George Soros e talvez o seu próprio.
A guerra às drogas fracassou, ao menos da forma como tem sido travada até agora. (…) Milhares de pessoas perderam suas vidas em violência associada às drogas (…)
Essencialmente, o discurso de Soros de há quinze anos. Nem muito mais, nem muito menos. Sem números, sem argumentos. Como estão divididas essas 'pessoas' não sabemos. “É o que o mundo está fazendo” é sua resposta padrão para calar a nós, tímidos pagadores de impostos e politicamente subdesenvolvidos. Fórmulas prontas, decadentes e escravizantes sendo propagandeadas por grupos ativistas bilionários e seus pseudo-intelectuais de aluguel, em busca de respaldo político e mercados consumidores de atitudes.
Embora aparentemente chamando a um debate público, as soluções já chegam prontas e seus defensores já pagos. Em nenhum momento a possibilidade de convocação de um plebiscito sobre a legalização das drogas é cogitado. Isso tem se tornado muito comum no processo de elitização crescente, na acepção descrita acima, pelo qual passa o Brasil. Vítima contumaz de policymakers em todas as áreas públicas, nossa capacidade decisória de povo soberano é solapada a olhos vistos.
Fernando Henrique e seu grupo defendem a legalização das drogas seguida de uma ampla campanha de conscientização dos males das mesmas, nessa ordem. Campanha de conscientização sobre os danos, uma vez que o estado está amparando o uso de drogas, isto é, “distribuindo de forma controlada visando à redução de danos”, tal como o governo Obama tem feito, é demagogia em seu estado de arte.
Nos EUA, a administração Obama já está dando os últimos passos para isso, como se pode observar pela
licitação on-line, convocando:
(…) empresas de plantio em larga escala, com capacidade de preparar cigarros de maconha e produtos relacionados, distribuir maconha, cigarros de maconha e canabinóides” não somente para pesquisa, mas também para “outros usos governamentais”(…)
(…) os pedidos de maconha medicinal estão crescendo aceleradamente. Proprietários de dispensadores [os distribuidores] relataram um aumento significativo de pedidos desde a posse de Obama. O número de dependentes procurando maconha medicinal para aliviar seus sintomas teve um pico em 2009, afirmaram os proprietários dos estabelecimentos em alguns dos 13 estados onde o uso é legal. Requisições aumentaram de 50 a 300%, afirmam, desde a posse de Obama (…)
Big business, big government.
Eletroeletrônicos, DVDs, calçados, automóveis etc são todos produtos de comércio legal; nem por isso o contrabando deixou de existir e as máfias pararam de atuar, antes o contrário. A questão parece ser de outra natureza: quem irá ser o parceiro nos riscos de um mercado cada vez maior, o de entorpecentes? Veremos isso nas partes seguintes desse artigo.
Félix, O FHC é do tipo Clinton, ele fuma mas não traga!!! Ele só vai desistir de descriminalizar quando der um "teco" num baseado de verdade.
O que o "Estado" realmente quer, é controlar o comércio das drogas. quer mesmo é tirar os traficantes da "jogada". quanto a FHCannabis, é lamentável que um "intelectual" do porte dele apóie tal iniciativa.
uma coisa eu acho engraçada, a coisa mais facil do mundo é criticar e apontar culpados entretanto propôr soluções são poucos que se atrevem! Rodrigo, proponha uma solução se você é tão bem preparado assim poxa... estou ancioso para ouvir a criatividade que o seu notório saber guarda!
Atribuir à luta pelo fim da guerra às drogas uma ação sincronizada das elites é de um simplismo ofensivo. Amplamente suportada pelas elites brancas e armamentistas do Hemisfério Norte, esta guerra provoca danos comparáveis aos genocídios mais terríveis. A serviço das elites, polícias matam basicamente negros, índios e mestiços - ou, sobre outro recorte, pobres e desprovidos de cidadania - em escala militar. É mentira que o consumo aumentou em países que adotaram posturas menos restritivas. Portugal, por exemplo, estava no topo do índice de consumo antes de descriminalizar o uso de todas as drogas, há cerca de 8 anos. Hoje, está entre os países que menos consomem e onde há menos mortes por decorrência do uso.
Rodrigo:
Seria interessante você guardar o discurso esquerdista mofado para sua roda de amigos e apresentar de onde tirou os dados que lhe permitem fazer suas afirmações e chamar alguém de mentiroso.
Repare que ao contrário de você, que apela para chavões típicos de certo tipo de burguês usuário que pensa apenas em legitimar seu comportamento, além de uma pessimamente disfarçada agressividade, o autor do texto apresentou apenas informações.
Editoria MÍDIA @ MAIS
Diante do exposto em seu artigo, o que você propõe deve consistir esta luta, que armas usar?
Vander,
Obrigado por seu contato,
Não tenho a pretensão de ter a solução para o problema, como fazem os pseudo-intelectuais de esquerda que têm solução para tudo. O que aponto é que essas propostas, em vez de minimizar os danos causados pela cultura e negócio das drogas, socializará e aumentará as perdas pois o estado terá como papel arcar com todos os danos, incentivando assim o aumento do consumo, como aconteceu em países europeus nos anos 1990. O cidadão deve ter meios de se opor a pagar esses custos sociais e rejeitar essa política viciada. Isso por si só seria um desincentivo ao uso de drogas. Outra coisa necessária é destruir a cultura de leniência ao uso de drogas incentivado pela classe artística que nela ainda vê uma porta à criatividade e liberdade. O problema, da forma com está sendo abordado, de liberdade individual, poderá levar a uma proibição até de tratamento, como ocorre hoje com o homossexualismo indesejado, que é proibido pelo Conselho Federal de Psicologia.