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Os viciados argumentos pró-drogas: no final, você é quem paga

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No artigo anterior, mostrei que os principais argumentos dos defensores de políticas "alternativas" à repressão ao uso de drogas vinham de grupos ativistas transnacionais, tendo no Brasil, como um de seus propagadores, o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, ele é a personalidade mais destacada para levar a mensagem. Outros participantes do movimento podem ser encontrados aqui. Dentre os de maior destaque estão Mário Vargas Llosa, César Gaviria, Ernesto Zedillo, João Roberto Marinho e o mago Paulo Coelho. Nesse artigo, tento entender alguns dos principais argumentos dos defensores da liberação das drogas.
 
Argumento 1: A guerra às drogas causa mais danos à sociedade do que o abuso de drogas 
 
Esse é o mantra preferido que, uma vez criado por George Soros tem sido repetido em bloco pelo movimento liberacionista. O abuso de drogas aí referido ocorre em sociedades que continuaram reprimindo seu uso, mantendo-o em limites relativamente controlados. Uma vez a sociedade sendo levada ao uso de drogas via campanhas de liberação e promessas de tratamento a serem oferecidos pelo estado (oferta gerando demanda), não se pode afirmar que os danos serão menores do que quando combatidos o uso bem como o tráfico. Quantas seriam as perdas humanas caso a quantidade de drogas que foi impedida de circular via "guerra às drogas" não a tivesse sido? Ninguém parece se preocupar com isso.
 
Um outro problema na argumentação é o seu escopo genérico. Que parte da sociedade sofreu os danos? Os usuários, os traficantes, os "pobres produtores de coca", as pessoas que moram em regiões dominadas pelo tráfico? Quanto das "sociedades" sofreu danos? Transformar problemas localizados em "doenças da sociedade" normalmente leva à distribuição dos prejuízos de uns àqueles que não tem responsabilidade nenhuma sobre tais problemas, exceto pelo fato de  conviver na mesma sociedade. 

Argumento 2: A violência devida ao tráfico irá diminuir se as drogas forem liberadas e/ou legalizadas (isto é, controladas pelo estado) pois o preço da droga tenderá a diminuir

A ideologia política ora em voga no discurso da liberação/legalização é a de que o estado deverá se tornar o grande parceiro do business dos narcóticos. Claro que a operação ainda não aparece de forma tão direta. Entretanto, a ele já é incutida a responsabilidade de arcar com os tratamentos daqueles que quiseram experimentar drogas para satisfação pessoal e se tornaram usuários regulares.  Ou daqueles que buscam no estado o seu fornecedor. 

Nesse caso, a estrutura do estado será utilizada para garantir desde a qualidade do entorpecente à distribuição equitativa entre os usuários; da escolha do fornecedor à educação para o uso das drogas, tratamento em massa dos novos dependentes, combate ao tráfico (pois é inocência crer que o tráfico irá acabar pois esse é sempre lucrativo, do contrário não existiria) e o  "trabalho escravo" nas lavouras de maconha e coca e, assim, numa escalada de necessidades sem fim. 

E, talvez o pior de tudo, a legalização implicará na completa reforma do sistema de leis, como o termo sugere. Legislação econômica, criminal, trabalhista, educacional etc. deverão ser completamente remodeladas para inserir em seu corpo aquilo que outrora era seu objeto de combate e controle, o caos. 

As drogas somente se popularizaram de forma maciça porque seus mercados se ampliaram e enriqueceram; em suma, se diversificaram. É possível adquirir um espectro formidável de drogas a preços para todos os bolsos. Há drogas para o zumbi de sete anos de idade que vive nas ruas e há drogas para o consumidor mais exigente. Ou seja, o mercado de drogas é imenso e opera de forma excepcional, caso contrário não seria a economia mais lucrativa do planeta, abaixo apenas do seu correlato, o tráfico de armas. 

Irá o estado plantar maconha e coca (para não tocar no assunto das drogas sintéticas, ainda muito mais rentáveis) para contrabalançar a economia, agindo como um banco? Irá o estado subsidiar o plantio, a colheita etc, em uma parceria público-privado? 

O que o estado brasileiro poderá fazer então, qual poderá ser seu papel? Se o estado entrar nessa economia, ele entrará de que lado? Como concorrente do narcotráfico, para forçar uma baixa no preço? Se assim for, o fracasso é certo. O estado jamais conseguirá concorrer com tamanho mercado e continuar a ser o que era antes. Se como parceiro de negócios, e isso é o que parece de fato ser, o futuro que nos espera não soa muito promissor. 

Seu papel aí será o de absorver os riscos das operações, arcar com os custos, cada vez maiores, de uma economia gigantesca das drogas e, obviamente, efetuar um processo gigantesco de lavagem do dinheiro, hoje a cargo e risco do sistema bancário. Talvez não seja sem razão a afirmação de que também os bancos poderão sair beneficiados. O narcotráfico não quer dividir seu lucro, somente seus custos. É aí que o estado poderá entrar, podendo culminar na auto-aniquilação da sociedade sob seu controle. 

Isso significa que o contribuinte irá pagar mais impostos e aumentará ainda mais a  ineficiência da máquina administrativa, para assistir ao decaimento acelerado da sociedade, caso o estado sucumba nas mãos do narcotráfico, o que está em estágio temerário. A esse fenômeno, costuma-se dar o nome de "narco-socialismo". 

Narco-socialismo: Sistema político em que o uso de drogas é favorecido e sustentado pela sociedade - e o sistema de saúde, bem-estar, fornecimento de drogas e reabilitação criminal torna-se responsabilidade do estado (Jordan, David C., 1999: 234). 

Argumento 3: As drogas se tornaram um problema de saúde pública 

A premissa embutida é a de que a quantidade de usuários dependentes de drogas, bem como as consequências advindas de todo o sistema ilegal de distribuição é grande a ponto de fazer com que o tecido social se degenere qual a um corpo enfermo. A imagem é a de uma sociedade doente, como um organismo, em sentido amplo. 

O recurso à argumentação da saúde pública tem sido bastante utilizado. Gravidez na adolescência, aborto sob demanda, doenças sexualmente transmissíveis etc., todos  consequências no mais das vezes de escolhas pessoais, muitas vezes incentivados pelo próprio estado, caem na grande bacia de salvação prometida pelo mesmo estado. Uma vez assumindo tais responsabilidades, este tende a crescer sem limites e, para justificar sua existência, tende a realimentar o ciclo dos problemas. 

O estado, estabilizando a situação corrente de certa forma (não necessariamente obtendo resultados satisfatórios), via manutenção de funcionários, prédios, fornecedores de bens e serviços, corrupção, passa a gerar essa nova demanda, que por razões óbvias, resistirá à cessação da existência, quando e se o problema estiver sido solucionado ou não mais existir. 

Em um outro artigo, escrevi: 

Dessa maneira, quase tudo poderia ser transformado em assunto de saúde pública. No entanto, problemas óbvios como o transporte público, os serviços públicos de saúde, a segurança pública, a burocracia estatal que torra a vida do cidadão etc., esses sim grandes geradores de problemas de saúde, não entram nessa categoria. 

Eu não afirmaria que as drogas são "um problema de saúde pública" para a sociedade. São problemas  individuais, decorrentes da busca individual de fuga e prazer de uma cultura cada vez mais tolerante a abusos.  Quando o indivíduo que não tem absolutamente nada a ver com as drogas sofre com suas consequências o problema é de outra ordem, de segurança.  E não me parece nada óbvio que o estado deva manter dependentes de drogas com o dinheiro que recolhe da sociedade que produz e paga elevados tributos por serviços já tão precários. 

Fernando Henrique deve ao menos uma explicação à nação que está ajudando a remoldar: após décadas de estudo e atividade no poder, isso é o máximo que o senhor consegue vislumbrar para o problema das drogas, uma fórmula pré-fabricada, não testada, arriscada e decadente de política? 

O uso de drogas não é ilegal por questões morais, culturais e de boa conduta. O uso de drogas é ilegal porque o custo humano da remodelação de uma sociedade sob suas bases inviabiliza a existência da própria sociedade assim como a conhecemos. 

 
Comentários (3)
3 Qua, 02 de dezembro de 2009 16:24
Simão Maia

Este problema surge na década de 60 do sec. passado. Era um ataque a sociedade burguesa, diziam, aos seus valores, aos seus fundamentos e etc e tal. Hoje está neste ponto. E a solução nao está em responder com violencia, mas na defesa dos fundamentos da sociedade. A propriedade privada, a liberdade individual, o livre funcionamento do mercado através do qual os individuos podem atingir seu bem estar. O homem é falho e imperfeito. Se usa coisa que lhe tras prejuizo, ele mesmo deve se convencer de seus males. A propria pressão do mercado, lhe impingindo perdas é mais que o suficiente. Deveriam receitar livre mercado. Quero ver se Soros, Fhc e companhia são capazes de aceitar.

2 Qua, 02 de dezembro de 2009 13:15
SCHULTZ

Excelente artigo. Só mesmo os esquerdistas e a classe artística por ela aparelhada para defenderem legalização de drogas. Sem falar dos pseudo-intelectuais como FHC. Sugiro que os defensores da descriminalização das drogas começem a estudar os efeitos em seus próprios organismos fumando algumas pedras de crack por dia. Ai sim, vão poder falar baboseiras com conhecimento de causa e experiência pessoais, pelo menos.

1 Qua, 02 de dezembro de 2009 12:34
jair

texto fraco! nota 5. gostaria de perguntar fazer uma pergunta... você ja fumou maconha, consumiu lsd ou cogumelos? tenho a impressão que você não faz a mínima idéia do que se trata, tanto sobre os efeitos, como pelo modo como se dá a distribuição destas substâncias.


Jair,


Vou responder, dar uma resposta (...)


O fato de você fumar maconha, consumir LSD ou chá de cogumelo em que aspecto lhe dá argumentos para discutir sobre a política das drogas que está em andamento? Pela sua lógica, o indivíduo precisa ser sodomizado para entender os gays. E não venha bancar o malandro virtual.

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