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Versões cinematográficas que gostaríamos de ver

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Quando faltam idéias novas para novos filmes, sobram as refilmagens e adaptações de enredos de outros países. O Brasil é pródigo em adaptar idéias ruins importadas para a realidade nacional. Mas a prática não é exclusividade nossa. Que tal imaginar algumas possíveis releituras de filmes famosos, adaptados para novos contextos?

Se eu fosse você (não falaria mal do governo)
 
A adaptação russa para o pastelão da Globo Filmes (http://www.youtube.com/watch?v=XtiG1oXybIY) repleto de piadas escatológicas ganha contornos de drama realista: a troca de corpos seria entre uma jornalista que faz denúncias contra o governo e um agente da polícia secreta. O agente passa a viver no apartamento da jornalista, e a jornalista passa a viver dentro de um túmulo, nos subúrbios de Moscou. Filme denso.
 
2014
 
O filme-catástrofe globalista e politicamente correto “2012” (http://www.youtube.com/watch?v=cyCCd8MCcZY&feature=fvst) não seria páreo para a versão brasileira, onde os efeitos especiais espetaculares dariam lugar a imagens documentais das eleições de 2014, com a nova candidatura de Lula sendo considerada a opção “conservadora” do ponto de vista ideológico. A batalha pela sobrevivência da civilização brasileira se daria em frente à urna eletrônica à prova de fraudes: os brasileiros, aterrorizados ou lobotomizados, escolhendo entre Heloísa Helena, Dilma Rousseff, Marina Silva, Beth Carvalho, Frei Betto, Luciana Gimenez, José Rainha, João Pedro Stédile, Joãozinho Trinta e Garotinho. A segurança do pleito é garantida pelo PCC, pelo Comando Vermelho e pelo MST.
 
As imagens da festa da democracia seriam alternadas com flashs dos jogos da Copa do Mundo, em mastodônticos estádios com prazo de validade, superfaturados em mais de 1000% e prontos para virarem monumentos à péssima aplicação de legislação de licitações. Um candidato a clássico desde já.
 
Sete noivas para um irmão
 
O ingênuo musical hollywoodiano (http://www.youtube.com/watch?v=qeybDjUhsDU) vira um filme de terror sem música nesta versão adaptada ao mundo islâmico. Um príncipe do petróleo fica dividido entre 7 candidatas à princesa e, consumido pela dúvida, resolve escolher todas. O filme vira uma carnificina quando o príncipe pessoalmente condena à “pena de morte perpétua” os antigos noivos e maridos das 7 irmãs. Saudado pela Unesco como “exemplo de diversidade e multiculturalismo”, o filme já nasceria com uma continuação pronta: “Sete noivos para um irmão”, mais direcionado ao mercado talebã, que proíbe a participação de atrizes nos filmes.
 
O dia depois de amanhã, ontem, hoje e semana que vem
 
Esqueça as previsões catastróficas de “O dia depois de amanhã” (http://www.youtube.com/watch?v=H6JzeAHCd98). Enquanto o filme norte-americano se passava em Nova York numa espécie de “juízo final”, a adaptação brasileira se passa em São Paulo, nos dias atuais, e pode ser filmada numa tarde qualquer de verão, economizando milhões em efeitos especiais. Na trama, um grupo de paulistanos comuns é obrigado a enfrentar filas quilométricas para recolher o IPTU mais caro do mundo, entregando jóias e roupas do corpo aos fiscais. Enquanto isso, as ruas e avenidas da cidade são tomadas por uma inacreditável inundação, e o trânsito finalmente atinge a marca de 500 quilômetros de congestionamento.
 
No dia seguinte, tudo recomeça, igualmente, sem qualquer outra consequência.
 
As cenas reais de inundação certamente superarão as imagens estilizadas e irrealistas do blockbuster.
 
Rede de Intrigas
 
As mentiras do jornalismo e manipulação das notícias (http://www.youtube.com/watch?v=gQUBbpvXk2A) ganha, nesta adaptação brasileira, o tom de uma comédia romântica: um canal de TV estatal resolve fazer com a audiência aquilo que todo mocinho pretende fazer com a mocinha no final dos filmes tradicionais. A equipe de jornalistas comissionados não poupa esforços ou recursos de origem pública para fazer parecer que aquilo que eles colocam no ar é, de fato, a verdade, e não propaganda disfarçada do governo. Ninguém assiste ao canal, mas o amor pela cobertura isenta move os bravos jornalistas através da escuridão do fracasso, em busca da famigerada audiência zero ou “traço absoluto”, quando sequer os aparelhos de TV da própria emissora estão sintonizados nela mesma. O protagonista resolve não denunciar coisíssima nenhuma e tudo permanece como sempre foi.
 
Lula – O Filho de Deus
 
O realismo brutal e tragicamente poético do filme de Mel Gibson, “A Paixão de Cristo” (http://www.youtube.com/watch?v=awVFsqWmbJs), renova-se na adaptação do gênero “artes marciais” realizada pelos mesmos produtores de “Lula – O Filho do Brasil” (http://www.youtube.com/watch?v=-_XtlhBd9_A): agora, é o próprio presidente que interpreta o papel, uma mistura de sindicalista, salvador messiânico e vítima de Roma, numa Jerusalém redesenhada pelo mago dos efeitos Oscar Niemeyer.
 
Por sugestão dos marqueteiros, o enredo é todo reescrito: agora, Jesus – ou melhor, Lula – não apanha calado de seus algozes: ele se revela um mestre de kung fu, senta a mão em meio Império Romano e termina eleito “presidente” de Roma, mudando a história da humanidade.
 
Filme favorito aos principais prêmios em Gramado e Brasília, mas também sério candidato a ser mais uma vez ignorado na festa do Oscar.
 
Caracas – Fuga Impossível
 
A versão bolivariana, latino-americana e altamente socializante do clássico filme de prisão (http://www.youtube.com/watch?v=yMPpMmd3Suk), agora pessoalmente dirigido por Hugo Chávez, subverte totalmente a premissa brechtiana e leva o público para dentro da ação, literalmente falando: todo burguês venezuelano é obrigado a ver o filme, e fica preso nas salas de cinema até aprender a se comportar. Apesar da cafonice das escolhas estéticas de Chávez (que abusa das horrendas canções de Mercedes Sosa na trilha musical), o filme é um sucesso: dentro do cinema, há pipoca, energia elétrica e água corrente, o que não ocorre do lado de fora.
 
Quem quer uma dúzia de ovos?
 
A revolução no cinema cubano oficial virá certamente dessa adaptação para o sucesso indiano “Quem quer ser um milionário?” (http://www.youtube.com/watch?v=AIzbwV7on6Q&feature=fvw), agora em versão aprovada por Fidel Castro. O enredo é ligeiramente alterado: agora, um menino pobre de Havana participa de um concurso realizado pela TV estatal, onde ele responde perguntas sobre hábitos do Comandante para ganhar o prêmio máximo – uma dúzia de ovos.
 
O final arrebatador mostra o garoto pobre tornando-se um poderoso homem de negócios, “o mais rico de toda Cuba” por ser agora dono da dúzia de ovos. Inimigo da revolução por sua condição burguesa, ele foge a nado para Miami, onde em um mês de trabalho como limpador de piscinas supera em renda o PIB de seu país de origem.
 
Le Carrandiru
 
O grande sucesso de Hector Babenco sobre a rebelião de presos na penitenciária paulistana (http://www.youtube.com/watch?v=ZlTPEmjyyvI) ganha uma versão francesa com os mesmos ingredientes: lá estão os dramas dos presos, os conflitos com as autoridades, a solidão e a culpa. A diferença está na metragem: enquanto a produção brasileira tinha mais de duas horas, os franceses fazem um curta-metragem. São menos de 10 minutos entre o começo do motim e o reestabelecimento da ordem: os policiais franceses rapidamente invadem, mandam todo mundo deitar no chão e põem ordem no galinheiro. Como nenhum preso francês é maluco, todo mundo se salva e o saldo de violência é um dente quebrado. No final, revela-se que a revolta começou porque os presos queriam que o médico que fazia lá dentro um “trabalho social” fosse embora, por ser muito chato e não deixar ninguém fumar.
 
Entre os murros da escola
 
A produção brasileira que relê o belo drama francês (http://www.youtube.com/watch?v=YD7CFS0mLaY) opta por uma mistura de filme de gangues e Karatê Kid. Aqui, o protagonista-professor que dá “aulas” dentro de uma “comunidade” passa a ser “diariamente” perseguido, seviciado e espancado por um bando de alunos “desordeiros” e “indisciplinados” com muita “energia reprimida”. Quando os fatos se tornam públicos, ele é demitido e uma ONG resolve processá-lo. Sedento por vingança, o professor torna-se um mestre de karatê, mas um dia antes de consumar seu objetivo é atingido por uma bala de perdida e morre dentro de um ônibus que passava pela escola. Deprimente.
 
O Plano Perrrfeito
 
Finalmente poderá chegar às telas a versão nacionalizada do policial engenhoso dirigido por Spike Lee (http://www.youtube.com/watch?v=dVgRBfdPJZ4). A adaptação brasileira dirigida por algum parente de deputado mostraria a obstinação e a astúcia de meia dúzia de militantes cariocas de extrema esquerda que, entre uma orgia de assaltos a bancos e justiçamentos no Brasil da década de 60, planeja como plantar a semente para receber indenizações milionárias, 40 anos depois, alegando “perseguição política”. Com momentos de comédia e filme de terror, a produção é sucesso garantido – inclusive pelo fato de que já sairá paga com o dinheiro das indenizações. Baseado em fatos reais.
 
Lua Velha
 
Uma dinastia de vampiros com sede de sangue, ares aristocráticos e um rígido código de comportamento? Que nada! A versão brasileira para o sucesso juvenil (http://www.youtube.com/watch?v=yZqiYIEkxdY) terá bem menos glamour e muito mais realismo social. Aqui, uma elite atrasada, corrupta e estatista aproveita-se das riquezas do país através do Estado, sugando o sangue do povo numa escravidão tributária jamais vista na história da humanidade. Os vampiros brasileiros saem de dia e de noite para cobrar impostos e taxas, não têm medo de cruz nem de alho: apenas de concorrência e corte de gastos públicos. Duração: interminável.



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Comentários (1)
1 Qui, 14 de janeiro de 2010 16:21
Eduardo Araújo

Caro Felipe, sugiro um remake adaptado de "1984", baseado em George Orwell? O mundo estaria dividido em 3 continentes: URSAL, Império Euroamericano e Resto. Abriria com a foto do Grande Irmão Lulávez Morales, com seus olhos perscrutadores, enquanto o serviço de som anunciava, na novilíngua, novo decreto de "direitos humanos" e mais uma "Comissão da Verdade". Outros termos/expressões da novilíngua no filme: "cidadania", "inclusão social", "imprensa golpista", "movimentos sociais"... Na linha do duplipensar, o governo central faria acordos com tiranos e terroristas em nome da democracia e manteria a propriedade privada com invasões de terras pelo MEST (Movimento dos Eternamente Sem Terra) ... Abraços

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