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O empurrãozinho de que os pequenos fascistas precisam

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ERA uma vez um sindicato e uma associação de professores que, no intuito de promover seus interesses corporativistas, teleguiaram miolos moles de hormônios alterados chamados indistintamente de "os universitários" por uma sociedade que só paga e não sabe o que lá dentro ocorre, à 463a revivescência do espírito de ‘68, muito conhecido de ouvir não sei quem falar, em busca da esperança de encontrar a motivação essencial de sua presença naquele terreno imenso, cheio de funcionários resmungões, bibliotecas vazias, laboratórios sempre assaltados e teorias mirabolantes também conhecido como universidade pública.

Na tentativa de esmiuçar as profundezas dessa insignificante poça da realidade brasileira, dou voz a um fictício mas bastante real em minha memória de ex-aluno uspiano, que várias vezes assistiu à aulas noturnas em plena greve com professores memoráveis, tipo muito distinto do multifacetado professor ativista, sociólogo de botequim e fauno do campus que aqui tento seu espírito verbalizar.
 
Veja, se formos mobilizar pessoal de outras camadas da população, teremos que pagar cesta básica, transporte até o campus e tudo mais, e isso custa dinheiro, como bem sabe o MST. Iria parecer estranho essas pessoas comuns reivindicando na universidade. Esses moleques, além de terem uma aparência de ingenuidade - o que ajuda -, já vêm cheios de energia, comem sucrilhos e tomam Red Bull, vêm com seus próprios carros, filmadoras digitais compactas, possuem rede de contatos na Internet, blogs, coletivos de sei lá o quê, têm influência na mídia etc. Um zé-mané apanhar da polícia é uma coisa. Esses meninos, alguns até filhos de políticos e de professores da USP são mais chorões, gritam por qualquer coisa. E a imprensa ouve que é uma beleza, sempre os leva a sério. Esses ativistas-mirins são nosso maior recurso”.

E continuou, aprofundando a análise de forma muito realista:

Esses jovens não sabem o que possuem sem esforço algum. Conheci uma menina que entrou no curso de arquitetura com 16 anos, inteligentíssima, pais ricos, linda, parecia a Isabelle Adjani. ‘Desbundou’ completamente, passou a beber e fumar maconha e em um ano já não assistia mais às aulas e parecia mais com a Ângela Ro-Ro. Outro dia mesmo, um maloqueiro foi expulso da faculdade porque caiu no ouvido do diretor que ele estava morando no grêmio com o aval dos alunos há não sei quanto tempo e era traficante de drogas. Ora, quanto mais molengas esses alunos ficam, melhor. Eles só querem saber de festas e passam a entender somente coisas muito simples, como slogans, ‘fora Rede Globo, o povo não é bobo’, ‘abaixo isso e abaixo aquilo outro’ e coisas assim. E muitos professores ajudam, até pedem aos alunos fumarem um baseado para relaxar”.

Sempre me pergunto se não é por esse tipo de mistura entre a marginalidade útil e a canalhice sociológica o motivo que se proíbe a entrada da polícia no campus. Não só a polícia, a imprensa também é sempre muito camarada e, estranhamente, respeitosa. Não é à toa que sempre se houve histórias de estupros no campus, laboratórios dilapidados e pessoas assaltadas.

Até agora a USP não criou o argumento final, a ideologia última que impeça o criminoso pequeno ou grande de efetivar seu intento. Mas ela continua tentando. Enquanto nada surge, ficam com o  bordão fenecido '68 "fora polícia do campus", querendo dizer, aqui quem manda é a minoria radical mobilizada, nós é que decidimos quem trabalha e quem não, quem estuda e quem não, quem entra e quem sai.

Deu uma pausa, tragou o cigarro e cofiou a barba já parcialmente encanecida.

Quando eles estão nesse estado existencial, de não saberem mais o que os trouxe à universidade, qualquer atividade que os faça sentir responsáveis pelo ‘avanço da democracia’, ‘combate ao imperialismo’, qualquer tema elástico e escapista é um prato cheio à vagabundagem. E isso nos auxilia! E eles próprios já possuem as respostas aos alunos discordantes: alienados, no melhor caso, coxinha, fascista e por aí afora. Já os alunos que precisam se sustentar ou que sabem o porquê de estarem lá e não têm tempo a perder com os ‘temas elevados’ que os outros fazem crer estarem preocupados, são presas menos fáceis.”

ABAIXO A DEMOCRACIA!

Bradou um. O outro olhou para aquele com certo estranhamento. Ninguém os repreendeu. Continuaram pois, afinal, enquanto houver polícia não haverá democracia, acreditam.

ABAIXO A DEMOCRACIA BURGUESA!
ABAIXO A ABAIXO A ABAIXO A DEMOCRACIA! ABAIXO A DEMOCRACIA! ABAIXO A DEMOCRACIA! DEMOCRACIA! ABAIXO A BURGUESA! DEMOCRACIA! BURGUESA! ABAIXO A DEMOCRACIA! ABAIXO A ABAIXO A DEMOCRACIA! ABAIXO A DEMOCRACIA! ABAIXO A DEMOCRACIA! BURGUESA! BURGUESA! BURGUESA!

 

 
Comentários (9)
9 Qua, 17 de junho de 2009 21:14
Edson

Muito bom o texto ! É até vergonhoso ler e se identificar com a descrição da realmente minoritária "representação" discente na USP, e curioso perceber o quão vazio é o discurso pseudo-social do estudante, burguês, "intelectualizado", que povoa os centros acadêmicos. Pelo menos, com o tempo, quem sabe, todos esses meninos utilizados como gado caiam na real. O impressionante é que os "tipos" não mudam. Podem procurar reportagens sobre as greves anteriores, sempre a mesma coisa. Só gritaria, com 90% das aulas acontecendo e 99% dos alunos comparecendo. Muito barulho por nada.

8 Qua, 17 de junho de 2009 17:24
Nell

Este movimento aí..nada mais é que a luta do público com o privado....Mas há professores públicos muito dignos e alunos também..e que realmente precisam da universidade pública...os mimados e alguns poucos desavisados é que gostam de desqualificar o ensino público. Quem quer estudar, estuda...e quem quer trabalhar, trabalha. Na verdade, quem está querendo "melhorar as universidades" não está nem aí para o professor e para os alunos que dependem da Universidade.

7 Qua, 17 de junho de 2009 14:38
WAGNER

Há 1 ano, ingressei em um curso superior na UFRGS. Qual não foi minha surpresa, ao adentrar no Campus do Vale, e me defrontar com um cartaz alusivo de uma festa que dizia "Festa da maconha - as melhores laricas do vale, os melhores xichs and xongs". Foi decepcionante. E depois, constatar exatamente o que o texto diz, uma leva de vagabundos mimados cheios de iniciativa e energia (pois em sua maioria não trabalham) que se prestam a protestar contra qualquer idéia, governos, instituição ou até mesmo professores que não rezem por sua cartilha marxista facistóide.

6 Qua, 17 de junho de 2009 11:07
Freeman
Tira o "direito" do estado prover educação que é responsabilidade individual, acabe com o ensino público que é sustentado com o dinheiro de muitos em benficio de poucos, e tereis o fim desta excrescência. É simples. Mas tereis coragem sequer de pensar nesta possiblidade?
5 Qua, 17 de junho de 2009 10:38
Gaermanicus
Isso não é privilégio de instituições públicas. A Universidade particular onde eu estudei também está nesse ritmo, para pior...
4 Seg, 15 de junho de 2009 16:17
Elmano

Nas universidades públicas há centros de excelência, fruto de muito trabalho de professores e alunos. Rotulara todos de vagabundos é prova de ignorância. A questão não é a origem dos recursos que mantêm a universidade, mas a forma como ela é gerida e nas regras que regem o funcionalismo, seja ele técnico, administrativo ou docente. Assim como o problema do ensino fundamental no Brasil não é falta de dinheiro, mas falta de espírito republicano e de vergonha na cara, também observados na segurança e saúde públicas. Sem falar em todo o resto.


Caro Elmano,


Sem entrar no mérito da questão da origem dos recursos, que para mim faz diferença sim, o texto deixa claro ser uma parcela numericamente insignificante a causa principal desse tipo de problema. Ocorre que ela é estridente e autoritária, causando prejuízos à universidade como um todo. São vários os professores e alunos que continuam suas atividades, a despeito do autoritarismo dessa minoria de que tratamos.


Gerson Faria

3 Seg, 15 de junho de 2009 15:06
Marcone

Até quando deixaremos de investir na educação básica, que dá oportunidade a todos; e ficaremos financiando essa vagabundagem? Será que é tão difícil enxergar essa anomalia? Existem universitários já formados e concursados estudando de graça; de outro lado, há uma legião de crianças órfãs de educação de qualidade no resto do país. Isso é um crime! Ora, se o orçamento tem limite, nada mais justo do que investir nas crianças; eleger esses vagabundos como prioridade é uma vergonha. Aí explica o fato de nunca termos ganho um prêmio nobel!

2 Dom, 14 de junho de 2009 14:21
Paulo

A grande pergunta que deveria ser feita é: até quando vamos pagar para sustentar essa malta de "alunos", pseudo-professores e sindicalistas vagabundos, ignorantes e autoritários, encastelados numa Universidade pública? Se depender dos esquerdistas venais e fossilizados que estão encastelados em órgãos de imprensa e que dão eco para essa quadrilha que tomou a univerdade, teremos de sustentar esses vermes eternamente. Vão trabalhar e estudar, seus vagabundos desocupados!

1 Dom, 14 de junho de 2009 13:30
João Carlos

A realidade é, por vezes, mais espantosa que a ficção, mas por outro lado, só um toque de ficção para nos trazer a compreensão da realidade já canhestra. Este artigo é um pequeno ensaio sobre a loucura dos campi, que vem contaminnado o país há quatro décadas.

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