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5 livros de ficção para prestar atenção

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Selecionamos cinco romances onde ou a temática ou a visão do autor foge da convencional abordagem esquerdista ou politicamente correta, típica da literatura moderna e da praticada hoje em dia.

Casa de Encontros (House of Meetings), de Martin Amis

Martin Amis é célebre por suas constantes polêmicas e crítica corajosa do extremismo islâmico. Seu romance é um retrato doloroso das consequências mais íntimas do horror comunista na vida de pessoas comuns, oprimidas na rotina diária ou enviadas para os campos de trabalhos forçados.

"Falei para Liev que suas chances de sobrevivência eram boas. No gulag, não se pode dizer que as pessoas morriam feito moscas. Em vez disso, eram as moscas que morriam feito pessoas. (...) Ali era o Ártico. O que o corpo faz, no campo, é consumir a si mesmo lentamente; meu irmão agora estava mais grosso nos ombros e no peito, mas, com um metro e sessenta de altura, ele continuava a ser uma refeição parca. Faça as contas e as perspectivas dele eram exatamente zero. Não, eram menos que zero." (Trecho de Casa de Encontros)

A Terrorista (The Good Terrorist), de Doris Lessing


Prêmio Nobel de Literatura em 2007, Doris Lessing pode ser considerada uma escritora liberal com aguçado senso crítico quanto aos descaminhos da militância esquerdista – especialmente a européia. Neste livro encontramos possivelmente um dos mais pungentes retratos a respeito do típico militante esquerdista nascido e criado no conforto europeu do Welfare State. Lessing traz à tona todas as insuportáveis contradições vividas por um grupo de candidatos a terroristas: seu pendor pelo banditismo, a indolência, a inação, a hipocrisia perante os pais e os seus próprios privilégios de classe.

 

A Fogueira das Vaidades (The Bonfire of the Vanities), de Tom Wolfe

O fôlego narrativo de Tom Wolfe só encontra par em sua inevitável propensão para a polêmica política: ele foi um dos raríssimos exemplos de celebridade norte-americana que declarou apoio a George W. Bush até o segundo mandato.

Wolfe conseguiu enxergar e retratar, de maneira implacável, alguns fenômenos que assombram ainda hoje a sociedade norte-americana (e que cada vez mais ganha ecos ao redor do mundo, inclusive no Brasil): o ativismo de encomenda, a defesa das minorias como combustível para lideranças políticas desonestas, a decadência moral da elite econômica acompanhada de sua adesão à agenda progressista – enfim, todo um estado de coisas que tem como capítulo tardio a eleição de Obama em 2008.

Veja – Pelo que o senhor está dizendo, dá para supor que seu voto na última eleição foi para Bush.

Wolfe – Sim, sem dúvida. E muitos confrades no meio jornalístico ficaram escandalizados quando souberam disso – olhavam para mim como se eu fosse um criminoso, um molestador de crianças. Eu me divirto com isso. Votar em Bush é tão contra a corrente...

A Casa Pintada (A Painted House), de John Grisham

Embora boa parte da produção de John Grisham baseie-se na tradicional narrativa ingênua e levemente panfletária da jornada do advogado progressista lutando contra o poder econômico das grandes corporações, aqui o romancista americano consegue desenhar um retrato singelo e sensível do meio-oeste dos EUA, na contramão da habitual visão disseminada pelo cinema: Grisham mostra, a partir de suas memórias pessoais, a integração entre os protestantes e os trabalhadores mexicanos que chegam e são acolhidos por uma terra de liberdade e oportunidades – ainda que, como a vida, repleta de imperfeições.

 

 

A Alternativa do Diabo (The Devil’s Alternative), de Frederick Forsyth

O livro descreve com perfeição o clima de desconfianças mútuas reinante durante a Guerra Fria, e penetra com riqueza de detalhes na sórdida teia de poder construída pelos burocratas soviéticos – tema que está longe de datado, visto que boa parte da mesma estrutura que serviu ao totalitarismo na URSS possa hoje estar a serviço de novos senhores, dentro e fora da Rússia.

 

 

 




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