Depois que os ataques terroristas ao sistema de transporte de Londres [07/07/2005] acordaram algumas pessoas para o fenômeno do terrorismo islâmico infiltrado entre os súditos britânicos — e igualmente importante, para o modo pelo qual isso continuava a ser ignorado pelo establishment britânico – a reação do outro lado do Atlântico foi, para dizer o mínimo, complacente.
“O que aconteceu ao leão britânico?”, perguntavam os americanos, enquanto coçavam suas cabeças, espantados com um país que já havia se erguido unido na luta contra os inimigos da democracia e agora parecia indiferente à disseminação do fanatismo jihadista e ao apoio à violência inspirada na religião entre seus próprios cidadãos. O que espantava ainda mais os americanos é que islamistas estavam sendo recrutados para servir na polícia britânica e em outros órgãos do establishment.
Na verdade, tal como escrevi e disse em numerosas ocasiões, os Estados Unidos estavam indo em direção similar, ainda que mais lentamente e com uma proporção demográfica bastante diferente. Enquanto a vasta maioria dos cidadãos americanos muçulmanos parecia ser composta por pessoas que realmente estavam nos Estados Unidos para obter uma fatia das vantagens do modo de vida americano, aderindo aos valores locais, havia uma porção crescente entre os muçulmanos dos EUA propensa a se tornar francamente radicalizada.
Ainda pior, o FBI e outras agências de contraterrorismo foram influenciados pela mentalidade de apaziguamento dos seus primos britânicos, que mascateavam a análise totalmente falsa de que o terrorismo islâmico nada tinha a ver com religião, encorajando as autoridades americanas a minimizar ou permitir, passivamente, o crescimento da radicalização. (Leia, p.ex., esta matéria sobre o silêncio diante da conferência de Hizb ut Tahrir em Chicago).
Agora que vimos o terrível resultado – o ataque em Fort Hood, Texas, que deixou treze mortos e dúzias de feridos pelo psiquiatra do exército, Major Nidal Malik Hasan, de quem foi ouvido o grito de batalha jihadista “Allahu akhbar!” antes de começar os disparos. Não pode haver nenhuma dúvida de que este foi um ataque jihadista aos Estados Unidos, especialmente considerando as provas e indícios que agora vêm à tona acerca das atitudes do Major Hasan durantes meses antes de seus atos tresloucados– indícios que foram simplesmente ignorados pelas autoridades americanas. O The Times reportou:
O seu nome aparece como autor de postagens radicais na Internet, louvando os homens-bomba — fato sobre o qual o FBI foi alertado seis meses atrás. Ele teve frequentes altercações com soldados em Fort Hood em função de suas declarações de que seus companheiros muçulmanos “deveriam se levantar e lutar contra o agressor”, além de sua estridente oposição à presença de tropas americanas n Iraque e no Afeganistão. Ele até pareceu comemorar a morte a tiros de um soldado levada a cabo por um convertido ao Islã, ocorrida num centro de recrutamento do exército em Arkansas, em junho deste ano. À época, o Major Hasan disse que os muçulmanos deveriam amarrar bombas à cintura e detoná-las em Times Square, no coração de Manhattan.
Estas foram as declarações extraordinariamente provocativas do psiquiatra do exército, Major Nidal Malik Hasan, nos meses que antecederam seus disparos mortais em Fort Hood — um massacre que começou com ele gritando “Deus é grande” em árabe.
Não apenas as autoridades americanas ignoraram esses sinais de alerta de que um psiquiatra do exército americano era um islamista fanático – como também foi revelado que ele chegou a ser membro do conselho consultor da Homeland Security durante o período de transição presidencial – mas a maior parte da reação da mídia à atrocidade, nos dois lados do Atlântico, demonstrou um espantoso estado de negação. A BBC tentou descartar qualquer possibilidade de que esse tenha sido um ataque jihadista e então pareceu perder qualquer interesse no assunto, enquanto o The Guardian [de esquerda] sustentou a versão de que a vítimas da atrocidade não foram os militares americanos, mas sim a comunidade muçulmana, prevendo atos de vingança, dos quais, felizmente e até agora, não houve nenhum sinal. (Este é o mesmo Guardian que, semana sim, semana não, publica matérias escandalosamente mentirosas e distorcidas sobre Israel, as quais contribuem para o clima de ódio frenético a Israel e a seus apoiadores, resultando em dramático aumento no número de ataques a judeus britânicos. Leia o post no blog de Ron Shepherd para uma excelente análise dessa extraordinária cobertura. Veja também Robert Spencer, aqui e aqui, e C. Edmund Wright aqui para uma visão da discussão sobre a Síndrome da Negação da Jihad nos EUA.
Agora foi revelado também que Hasan rezava numa mesquita liderada por um imã radical, tido como o “conselheiro espiritual” de três dos sequestradores dos ataques aos EUA em 11 de setembro de 2001. Mesmo assim, as pessoas ainda estão sugerindo que Hasan apenas “surtou” — possivelmente sob o impacto, vejam só, do stress pós-traumático derivado de conflito militar [formalmente, Hasan estava no exército americano exatamente para tratar os militares vítimas desse stress]. Em outras palavras, ele não é um fanático religioso, mas meramente desequilibrado. Acontece que fanáticos religiosos são desequilibrados.
De que outra maneira poderíamos descrever as pessoas que cortaram as cabeças de Daniel Pearl, Nick Berg e de tantos outros; ou então, que afivelaram cinturões de bombas aos corpos de crianças iranianas para transformá-las em bombas humanas contra os iraquianos nos anos 80; ou ainda, que desejam assassinar milhares de seus concidadãos britânicos, porque os islamistas “amam a morte”?
Ah, é claro: eu me esqueci que eles são apenas guerreiros da resistência contra a opressão israelense...
A julgar pela reação aos atos desse psiquiatra fanático empregado pelas autoridades americanas para aconselhar seus soldados, a pergunta que fica é: quem é que realmente precisa de tratamento clínico aqui?
Mais evidências da Síndrome da(o) Negação Desequilíbrio dos Estados Unidos. Aparecem agora as declarações de ex-colegas do psiquiatra do exército Nidal Malik Hasan, que assassinou treze pessoas e feriu outra dúzias num ataque jihadista em Fort Hood, tinham reclamado ao corpo docente [University of the Health Sciences, em Bethesda, Maryland] da propaganda antiamericana que ele veiculava — mas ficaram receosos demais em registrar uma queixa formal, por medo de serem acusados de preconceito:
Todavia, Finnell , um colega de turma de Hasan, declarou que ele fez uma apresentação durante seu período estudos que “justificava os homens-bomba” e vomitava “propaganda antiamericana” enquanto argumentava que a guerra contra o terror era uma guerra contra o Islã. Finnell disse que ele e pelo menos mais um outro estudante reclamaram da conduta de Hasan, surpresos pelo fato de que alguém “que professava esse tipo de ideologia vil” tivesse permissão para usar o uniforme de um oficial militar. Mas Finnell disse que ninguém registrou queixa formal por escrito contra Hasan, temendo que parecessem discriminatórios. [Ênfase da colunista]
Ao que parece, o multiculturalismo mata.
Enquanto isso, e apesar de o ex-presidente George W. Bush e sua esposa terem feito uma visita de condolências a Fort Hood, parece que uma visita de mesmo caráter por parte do atual ocupante da Casa Branca não estava programada, pois o Presidente Obama decidiu descansar em Camp David no final de semana.
Aposto que agora ele fará uma visita. [*]
Tradução: Henrique Dmyterko
Porém, pior do que ocorre na imprensa americana e britânica é o que faz a imprensa brasileira: silêncio sepulcral, abstenção completa de noticiar um fato que se tornou tema de acalentada discussão nos EUA e na Europa. Para a imprensa brasileira, para a inacreditável e absurda imprensa brasileira, é como se o ataque de Fort Hood tivesse sido tão-somente uma repetição dos "ataques de psicopatas" de volta-e-meia acontecem na América. É inacreditável!!! Como diz Olavo de Carvalho, o Brasil tornou-se um lugar apartado do mundo...
O artigo da senhora Phillips retrata bem essa mentalidade controvertida, para não dizer idiota, que tomou conta da discussão desses temas graças à intervenção do politicamente correto e de supostos "intelectuais". Parece que a missão fundamental que estes assumiram é demonstrar que o óbvio não é o óbvio. Eu me encontrava nos Estados Unidos quando dessa ocorrência e os debates na grande imprensa giram excessivamente em torno de psicologizar a explicação. O assassino de Fort Hood está para se tornar o primeiro caso de "stress pós-traumático preventivo", já que estava listado para ir ao Afeganistão.O Ocidente parece ser vítima de algum tipo de doença mental que suprime o instinto de autopreservação a ponto de produzir malabarismos retóricos ridículos para escamotear o "óbvio ululante". O promotor promete pena de morte para esses crimes e, sem dúvida, vamos escutar a chorumela de sempre a respeito. Estou torcendo para o promotor, certamente.