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Apertando o botão de “reset”. De novo - Parte I

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Tal como prometido, Obama estabeleceu um novo caminho para a diplomacia americana. Após dez meses de diplomacia “foi culpa do Bush”, a administração Obama precisa apertar o botão de “reset”. De novo.

 Europa

Nas questões substanciais, as relações com a Europa não melhoraram. Os governos da França, Alemanha, Itália, e em breve, também da Grã-Bretanha, são conservadores e crescentemente céticos quanto à diplomacia de Obama.

 A Alemanha abandonou a idéia de mais estímulos [econômicos]. Sarkozy nos passou um sermão sobre retórica utópica sem ação quanto às ambições nucleares do Irã. A imprensa britânica está compilando uma litania diária de nossas faltas de atenção e ofensas— e começa a concluir que, aos olhos de Obama, os britânicos não são inestimáveis aliados de mais de um século, mas sim tipos incômodos, ridículos e superados, que “foram, mas não são mais”, para sempre culpados pelo imperialismo colonial. Se a rainha deles fosse uma teocrata real saudita ou um imperador asiático deificado, então receberia uma genuflexão de Obama.
 
Os tchecos e poloneses nunca mais confiarão num aliado distante em confrontação com um inimigo próximo; eles não precisam reaprender as lições de 1939. As repúblicas autônomas da antiga União Soviética entendem que a Rússia de Putin tem o sinal verde para “reajustar” suas atuais fronteiras, consideradas “ad hoc” pelos russos— sendo que o Presidente Obama é tão claro a respeito de qualquer futura disputa quanto o foi o candidato Obama acerca da Geórgia.
 
Não espere por mais tropas européias no Afeganistão. Os aliados da OTAN acham que nossos corações não estão na guerra e temem fazer parte de uma humilhante derrota, ao estilo Canal de Suez. E depois de se enfeitarem todos por um presidente americano “verde”, metade da Europa está furiosa diante do fato de que a estridente retórica do hope-and-change [mudança e esperança] não será seguida por nenhum compromisso concreto de redução de emissões de gases [Cap&Trade]; enquanto isso, a outra metade teme que Obama realmente acredite na ciência de feiticeiros da qual o mundo teve um recente vislumbre através dos emails vazados da Universidade de East Anglia.

Ásia
 
Índia e China — um terço da população mundial não caiu na alegoria do hope-and-change. A China não ouvirá nossos sermões quanto ao Tibete, direitos humanos, emissões de CO2 ou sobre Taiwan — não com os novos hiper déficits que nos levarão a pedir a China que invista trilhões em capital para financiar novos direitos para americanos, direitos que não são concedidos ao povo chinês.
 
A Índia quer garantir que o apoio dado pela administração Bush à terceirização, livre comércio e desenvolvimento nuclear, além de sua posição na Caxemira, não seja substituído por uma equivalência moral na qual uma Índia democrática e de língua inglesa seja considerada apenas mais um país, indistinguível de um belicoso, instável e islâmico Paquistão.
 
Mas a nova aproximação de Obama para o Oriente Médio — sempre ressaltando a culpa de Bush, o reconhecimento do brilho do Islã, repetindo monótonas promessas de amizade, além da ênfase no peculiar nome de Obama e em sua herança cultural— não trouxe ao menos algum dividendo político?
 
Dificilmente. O Irã anunciou uma expansão, e não uma interrupção, de seu programa de enriquecimento de urânio. Atingimos o resultado paradoxal de polarizar Israel, nosso aliado democrático, sem persuadir os autocráticos palestinos. O mundo árabe sunita tem como certo um Irã xiita e nuclear, e em resposta os árabes provavelmente buscarão obter seu próprio poder de dissuasão nuclear. Os agrados de Obama à Síria não trouxeram nada além do reforço da confiança de Damasco quanto a reentrar no Líbano e imitar o modelo iraniano de aquisição nuclear.
 
De maneira geral, o mundo árabe desconfia daqueles que criticam os seus. Os líderes árabes interpretam as desculpas que Obama pede em nome dos Estados Unidos tanto como um defeito de caráter, como uma nova acomodação. E enquanto Obama se penitencia pelo mau comportamento americano, a maioria dos líderes no Oriente Médio não tem nenhuma intenção de se desculpar pelos crimes cometidos por seus países.
 
Na segunda e última parte deste artigo: “América Latina”, “Uma diplomacia mais suave gentil”, “Bom para você, mas não para mim” e “Obama, o reitor”.
 
©2009 Victor Davis Hanson

 
Tradução: Henrique Dmyterko
 
Publicado originalmente no National Review Online em 05/12/2009.
 
Também disponível no site do autor.



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