No dia 13 de abril, o Presidente Obama retirou todas as restrições a viagens e remessas de dinheiro feitas por cubanos nos Estados Unidos a seus parentes em Cuba. A maioria dos observadores de Cuba vê isto como um rápido desmantelamento do pouco que restou do chamado “embargo a Cuba”.
Eis aqui algumas coisas que vocês não estão ouvindo a grande mídia dizer a respeito de viagens e remessas a Cuba. Até bem recentemente, o regime de Castro (classificado pelo Departamento de Estado americano como estado patrocinador do terrorismo, e classificado pela mídia liberal1 [esquerdista]
como vítima do “cruel embargo americano”) estava, na verdade, desfrutando de um influxo vital de dinheiro (US$1 bilhão por ano, numa estimativa conservadora) vindo diretamente dos Estados Unidos, país que também serve como o maior fornecedor de alimentos a Cuba e o seu quinto maior parceiro comercial. Esse US$1 bilhão e mais um bom dinheiro seguiram na forma de remessas em espécie feitas por alguns ex-subordinados a Castro e também na forma de gastos desses ex-subordinados em suas frequentes visitas a Cuba. Esse US$ 1 bilhão em remessas se aproxima do montante da infusão monetária chinesa em Cuba.
Este absurdo estado de coisas finalmente fez com que, em 2004, a administração Bush limitasse as visitas de cubano-americanos a Cuba a uma a cada três anos e as suas remessas, a US$300 por trimestre. Esta quantia, a propósito, equivale a mais ou menos cinco vezes o salário cubano típico.
Uma reclamação constante entre os outros latino-americanos que buscam fixar residência nos Estados Unidos é o desagradável e ofensivo hábito (tal como eles o vêem) cubano de empurrá-los de lado e furar a fila. Isto resulta de uma lei de 1966, chamada Cuban Adjustment Act [Lei da Acomodação Cubana] e que permite aos cubanos requerer asilo político nos Estados Unidos, residência legal e daí a cidadania americana muito mais rápida e facilmente do que o processo enfrentado pelas massas amontoadas mais tristes e sombrias que chegam de outros pontos ao sul.
A distinção tradicional, é claro, era a de que os cubanos (que antes de Castro preferiam viver em Cuba: de fato, em 1958, mais americanos viviam em Cuba do que cubanos nos Estados Unidos) agora estavam fugindo de um regime totalitário e inimigo dos Estados Unidos, e que os proibia de voltar.
Seu status ao chegar às praias americanas realmente tinha pouco a ver com a chamada “alcovitagem política do poderoso lobby dos exilados cubanos”, e tudo a ver com algo chamado Refugee Relief Act [Lei de Assistência a Refugiados], assinada pelo Presidente Eisenhower em agosto de 1953 para dar assistência aos refugiados da Cortina de Ferro.
Então veio o regime stalinista de Castro em 1959 e os estreitos da Flórida tornaram-se barreiras ainda mais mortais do que a Cortina de Ferro. Muito mais cubanos morreram tentando rompê-las do que alemães tentando transpor o Muro De Berlim. Essencialmente, a lei de 1966 simplesmente codificou a lei de 1953 para as vítimas do stalinismo tropical.
Nos anos 1950 e 1960, tchecoslovacos, húngaros, russos e alemães orientais admitidos nos Estados Unidos não fizeram clamor imediato para visitar os países comunistas dos quais tinham acabado de fugir e lá esbanjar seus dólares. Na verdade, essa idéia era ofensiva e insultuosa a esses refugiados genuínos. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, os refugiados cubanos agiram de modo idêntico, quando não ainda mais emotivamente. Muitos se lançaram ao chão e beijaram o solo americano no instante em que o tocaram, frequentemente irrompendo em lágrimas.
“Sinto muito”, dizia a diretiva de 2004 do ex-presidente Bush (tal como aconselhado por legisladores Republicanos cubano-americanos). “Mas se vocês vão e voltam de Cuba com as bênçãos do regime daquele país e gastam milhares de dólares a cada viagem, vocês não são refugiados políticos, por mais que se estique a definição”.
Há muito tempo os refugiados cubanos genuínos suspeitavam que essas “remessas para a família” feitas por “refugiados” cubanos recentes, reduzidas por Bush e agora permitidas por Obama, não se originam do tradicional “suor do rosto” de refugiados políticos genuínos.
Uma investigação feita pelo FBI no sul da Flórida no verão, por exemplo, revelou uma fraude escandalosa no Medicare3, totalizando US$142 milhões em desvios.
“Refugiados” mantêm e tratam com carinho passaportes de um regime stalinista que os oprimiu até que escapassem e encontrassem refúgio? Um regime stalinista acolhe de volta seus inimigos declarados e os protege dos braços da justiça do país que ofereceu refúgio a seus inimigos declarados? A nova liberalização de viagens autorizada por Obama irá reduzir a criminalidade?
O Presidente Obama decretou que agora os “imigrantes” cubanos são realmente muito mais iguais do que outros imigrantes. Eles desfrutarão de idênticos privilégios de viagem e de remessas – juntamente com seu exclusivo e tradicional fast-track para cidadania.
Nenhum “Republicano racista”, enquanto “alcovitava” em favor dos cubano-americanos, jamais legalizou algo tão patentemente injusto e ofensivo (e não apenas para os outros “hispânicos”) quanto o novo decreto de Obama. Se você é um refugiado político, então aja como tal. Não mude de atitude ao indevidamente enriquecer o regime que você afirma detestar, um regime que patrocina o terrorismo. Isto era tudo que os Republicanos pediam do bloco étnico que lhes dava 70-80 por cento de seus votos.
Mas Obama concedeu a (alguns) cubano-americanos um verdadeiro banquete com bolo, enquanto ao resto da multidão “hispânica” só é permitida a entrada no banquete para limpar as mesas, lavar os pratos e esfregar o chão do banheiro.
Deixe a grande mídia continuar a rabiscar e matraquear sobre a “alcovitagem Republicana em favor dos cubano-americanos”. E assim, talvez, esta tradicional “alcovitagem” se resuma ao mais óbvio compartilhamento de convicções antitotalitárias, além de interesses e preocupações econômicas e sociais típicas da classe média.
Publicado originalmente em American Thinker em 14/04/2009.
Tradução: Henrique Paul Dmyterko


















