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O Conselho Nacional dos Judeus Democratas e eu

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Em fevereiro de 2008, em meio à grande agitação das eleições primárias americanas, Ira N. Forman, diretor executivo do Conselho Nacional dos Judeus Democratas [NJDC, na sigla em inglês] – o braço do Partido Democrata dedicado às relações com a comunidade judaica americana [*] criticou-me severamente no Philadelphia Jewish Voice , caracterizando-me como um “ propagandista conservador ”, chamando de “ ridículos e ofensivos ” os meus textos sobre Barack Obama ter sido criado como muçulmano e classificando o meu trabalho como “ traiçoeiro assalto político ”.

Isso foi naquela época. Hoje, numa postagem publicada no site da NJDC, Forman cita favoravelmente Richard Perle e a mim, numa análise intitulada “ Proeminentes conservadores concordam que não há nenhuma mudança na política com respeito a Israel ”. Citando um artigo publicado no Jerusalem Report em 06/06/2009, intitulado A Palavra do Presidente , Forman reproduz parte do que eu disse a respeito do discurso de Obama no Cairo, i.e. , que o discurso “[...] não continha nenhuma abordagem nova nem diretivas novas. O discurso foi melhor do que eu temia ”.
 
Comentários : (1) Notem a minha ascensão, de “ propagandista conservador” a “proeminente conservador”, dependendo de como eu me encaixo na agenda de Forman.
 
(2) Sim, eu achei que o discurso de 4 de junho não foi tão ruim. Numa postagem em meu blog, “ Avaliando o discurso de Obama no Cairo ”, expliquei que " Obama reiterou suas políticas conhecidas ” acerca de uma variada gama de assuntos (Islã, Afeganistão, Irã, Iraque, o conflito árabe-israelense, democracia) e que, portanto, “ avançou pouco ”.
 
Não, eu não disse que “ não houve nenhuma mudança na política com respeito a Israel ”, tal como Forman incorretamente apresenta minhas opiniões. Muito ao contrário, eu alertei, num artigo publicado no Jerusalem Pos t em 4 de junho acerca de Uma rápida e rude virada contra Israel [publicado pelo Mídia@Mais em 17/06 ]. Aqui vão dois trechos:
 
“[...] Tal como esperado, porém, imediatamente após a reunião, a rispidez tomou lugar na forma de uma série de duras exigências americanas, em especial a insistência da Secretária de Estado, Hillary Clinton , expressa em 27 de maio, no sentido de que o governo de Netanyahu desse um fim à construção de moradias para israelenses na Margem Ocidental e na Jerusalém oriental . [...] a rápida e rude virada da administração Obama contra Israel tem, potencialmente, grande significância. Não apenas é dado um fim para a política de Bush de concentrar-se em mudanças no lado palestino, mas são também descartados os entendimentos que Bush alcançou em conversas diretas com Ariel Sharon e Ehud Olmert ”.
 
Eu concluí dizendo: “[...] Se Washington continuar em seu atual curso de ação, o resultado bem pode vir a ser um espetacular fracasso de política externa que resultará no enfraquecimento do único aliado estratégico dos Estados Unidos no Oriente Médio, além de piorar as tensões árabe-israelenses ”.
 
(3) Ira, pesquise melhor antes de desacreditar a você mesmo e à sua organização.
 
Tradução: Henrique Paul Dmyterko
 
Publicado originalmente no blog danielpipes.org em 29/06/2009
 
[*] NT : Muitos se perguntam por que a maioria dos judeus americanos vota nos candidatos do Partido Democrata. Uma das explicações reside no fato de que o Partido Democrata há muito dominava a máquina política e sindical dos grandes centros da Costa Leste dos EUA, especialmente a de Nova York, porto de entrada de milhões de imigrantes, desde meados do século XIX até as primeiras décadas do século XX. Os Democratas controlavam a oferta de empregos e, para quem fugia dos pogroms na Europa, um emprego num país livre significava lealdade, que parece se estender por gerações. Outra explicação seria o liberalismo, em seu sentido revolucionário original, ou mesmo o socialismo de muitos imigrantes judeus, o que os tornaria mais próximos da agenda Democrata, especialmente durante e após o New Deal de Roosevelt. Ainda outra interessante e aguda análise sobre o tema pode ser encontrada aqui no Mídia@Mais, num artigo de Melanie Phillips .

 




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