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Um cálculo fatal?

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Do Afeganistão nos chega uma aguda e perturbadora avaliação feita por um intelectual afegão acerca de uma divergência fundamental entre as abordagens americana e britânica da situação em seu país – e a Grã-Bretanha não se sai nada bem:

O 11 de setembro trouxe os Estados Unidos ao Afeganistão. Seu objetivo inicial de derrotar o Taleban e eliminar a liderança da Al-Qaeda foi comprometido pela subestimação da importância do apoio estrangeiro [árabe] ao Taleban e pela superestimação da cooperação militar paquistanesa na guerra contra o terror.
 
O Taleban, depois de ser derrotado pelas forças americanas, escapou para o Paquistão, onde encontrou refúgio seguro. Além disso, recebeu assistência financeira de uma complexa rede de instituições beneficentes com sede em ricos países do Golfo. O presidente Bush, ocupado com a guerra no Iraque, fechou os olhos diante da colaboração do Paquistão com o Taleban.
 
Recentemente, os militares e os serviços de inteligência americanos conseguiram convencer a Casa Branca de que o terrorismo não poderia ser derrotado no Afeganistão, a não ser que os Estados Unidos destruíssem seus esconderijos no Paquistão. Apesar de a Grã-Bretanha se opor a qualquer ataque contra campos terroristas no interior do Paquistão, as forças militares americanas justificadamente expandiram suas operações além da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Essas operações foram avaliadas positivamente no Afeganistão.
 
De acordo com o Ministério da Defesa afegão, o número de ataques de insurgentes e terroristas no Afeganistão caiu em 40% desde que os Estados Unidos começaram a atacar em solo paquistanês. A rede terrorista da Al-Qaeda e do Taleban está [agora] sob crescente pressão militar americana, tanto no Afeganistão quanto no Paquistão. A nova estratégia americana de atingir o terrorismo em sua origem amedrontou os países que ajudaram a criar o Taleban a fim de promover suas agendas políticas na região [isto é, o Paquistão e a Arábia Saudita].
 
A perspectiva de um colapso do Paquistão atemoriza a comunidade internacional. A Grã-Bretanha e a Arábia Saudita estão muito preocupadas quanto ao futuro do Paquistão, ainda que por razões diferentes. A Grã-Bretanha é o lar de mais de dois milhões de paquistaneses. Os ataques terroristas de 7 de julho de 2005, em Londres, foram planejados e executados por cidadãos britânicos de origem paquistanesa, treinados nos campos terroristas do Paquistão. Portanto, a Grã-Bretanha tem em alta conta a estabilidade do Paquistão, temendo que um colapso lá se transforme num fardo pesado demais em casa.
 
O conhecimento britânico sobre as ligações tribais pashtun e afegã no Paquistão está desatualizado... A antiga estrutura tribal pashtun desapareceu durante as últimas três décadas de conflito no Afeganistão. O atual esforço britânico de aproximação com o Taleban já falhou. Desde que as forças britânicas deslocaram-se para Helmand e começaram a negociar uma trégua secreta com o Taleban, a situação nessa província piorou ainda mais.
 
O entusiasmo britânico para negociar com os insurgentes só dará tempo precioso para que o Taleban e a Al-Qaeda se reagrupem e expandam suas operações nas províncias relativamente estáveis do Afeganistão e Paquistão”.
 
Ele estará certo? O desejo britânico de apaziguar sua população de origem paquistanesa por medo de mais terror – e assim deitando as bases para ainda mais terrorismo através de uma pusilânime visão curta – soa terrivelmente familiar. Mas um Paquistão em colapso – coisa que parece mais e mais provável – é uma perspectiva que dificilmente pode ser tratada com calma e sossego.
 
 
Publicado originalmente noSpectator.co.uk/melaniephillips em 19/03/2009
 
Tradução: Henrique Paul Dmyterko



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