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Explicando os erros estratégicos de Israel

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Num artigo que publiquei anteriormente, “A Incompetência Estratégica de Israel em Gaza”, eu levantei três argumentos: que a liderança israelense criou, unilateralmente, seus atuais problemas em Gaza; que a guerra contra o Hamas significava ignorar a ameaça muito maior das armas nucleares do Irã; e que o objetivo de fortalecer a Al-Fatah não faz sentido.

Estes argumentos suscitaram muitos comentários e reprimendas de leitores, que levantaram pontos que merecem resposta. A bem da clareza, eu os editei apenas um pouco e passo a responder a alguns deles aqui.
Seu artigo foi realmente depressivo. Você tem algo animador a dizer?”.
 
Nos dias que correm, o Oriente Médio é uma fonte de más notícias, praticamente sem abrandamento ou alívio. Duas raras evoluções positivas dizem respeito à economia: Israel finalmente (e graças às reformas levadas a cabo por Benjamin Netanyahu) afastou-se do socialismo debilitante de seus primeiros dias; e o preço da energia caiu em dois terços. 
 
“Aceitando suas opiniões como verdadeiras, como fatos, o título e o tom do artigo só podem encorajar os inimigos de Israel. Uma linguagem mais cuidadosa teria sido mais vantajosa para Israel”.
 
Eu tento a oferecer uma crítica construtiva. Ainda que os inimigos de Israel encontrem encorajamento em minha análise menos entusiasmada, eu espero que isso seja mais do que compensado pela minha ajuda aos israelenses para que estes percebam seus erros.
 
“O inimigo de Israel é a sua liderança traidora, que está intencionalmente trabalhando para destruir o estado judeu e para trazer o Holocausto sobre os judeus no mundo. Recusar-se a tornar isso claro e continuar a sugerir incompetência é o problema, é capacitar a liderança e, deste modo, tornar-se também um traidor”.
 
Se alguém é um traidor de Israel por não ver a sua liderança como um grupo que está “intencionalmente trabalhando para destruir o estado judeu e trazer o Holocausto sobre os judeus do mundo”, então, me pinte como culpado. Eu vejo a liderança como incompetente, mas não maligna, e muito menos suicida.
 
“Eis uma estratégia de saída de Gaza: Israel deveria alugar uma faixa de terra do Egito a ser usada como uma zona tampão.”
 
Grande idéia – exceto pelo fato de que a chance de o Egito concordar com isso é zero.
 
“Sua análise trata Israel erroneamente como um ator independente, quando o governo dos Estados Unidos desempenha um papel maior na limitação das ações de Israel”.
 
Eu enfoquei e rejeitei esse argumento quanto à retirada de Gaza em “Sharon e sua retirada de Gaza – fabricada em Washington? ”, mas a sua afirmativa vai além de Gaza e merece uma análise completa.
 
Minha resposta breve é: a idéia de que Washington force idéias ruins sobre uma não desejosa Jerusalém oferece certo consolo, pois implica dizer que a liderança israelense sabe o que fazer, mas não pode fazê-lo; infelizmente, isso é coisa do passado.
 
Sim, de 1973 a 1993, havia de fato esse padrão. Mas desde os acordos de Oslo, todavia, a liderança israelense não tem sido um partícipe condescendente nas ações de seu parceiro americano, mas frequentemente assumiu a liderança – e.g., nos próprios acordos de Oslo em 1993, na retirada do Líbano em 2000, nas negociações de Taba em 2001 e na retirada de Gaza em 2005. 
 
Aaron Lerner resumiu essa questão em “A pressão americana não é o problema”, argumentando que “As iniciativas diplomáticas israelenses, quase sem exceção, têm sido levadas a cabo com a aprovação americana apenas depois de consumadas”; e ele dá exemplos.
 
“E se os elementos mais eficientes da sociedade israelense, os militares, estivessem no comando?”.
 
Mas os militares israelenses, em grande medida, estiveram no comando desde a fundamental reorientação da dissuasão para o apaziguamento, que aconteceu em 1993 – Rabin, Barak e Sharon dominaram a vida pública nos últimos dezesseis anos, junto com muitos outros ex-generais. Em Israel, tanto quanto no resto do mundo, os militares tendem a absorver os esquerdismos requentados pela sociedade civil.
 
Esta não é a hora de olhar para o passado e apontar culpados; melhor é seguir em frente e resolver o problema”.
 
Atribuir responsabilidade por erros não é mera questão de acusar, mas é crucial para que alguém não os repita.
 
 
Em outra coluna que publiquei em janeiro, “Resolvendo o ‘Problema Palestino’”, eu endossei a opção jordano-egípcia, pela qual a Jordânia assumiria a Margem Ocidental e o Egito, Gaza.
 
Você pergunta: ‘Por que Olmert desperdiçou esta oportunidade, ao confrontar o perigo relativamente trivial que o Hamas representa, em vez da ameaça existencial do programa nuclear do Irã? A resposta está no artigo do New York Times de 11/01/09, ‘Estados Unidos rejeitaram ajuda para ataque israelense a instalação nuclear iraniana’, que explica que o governo americano frustrou os esforços israelenses de destruir as instalações em Natanz”.
 
A análise que fiz em “Jatos Israelenses versus Armas Nucleares Iranianas” sugere que as Forças de Defesa de Israel não precisam da aprovação dos Estados Unidos para cruzar o Iraque ou de arsenal adicional americano para atacar alvos iranianos.
 
Criticar é tão fácil; você realmente acha que poderia fazer melhor? Se acha, por que não vai para Israel e entra na vida política lá?”.
 
Um cronista esportivo na precisa ter sido uma estrela em campo para fazer comentários críticos acerca dos jogadores – e nem é necessário a um analista do Oriente Médio escalar o escorregadio mastro da política israelense antes que possa oferecer análise estratégica. Quanto a legitimidade de minha oferta de opiniões, uma vez que vivo nos Estados Unidos, veja “Pode um americano opinar sobre Israel? ”.
 
O que você pensa de outros planos alternativos que estão circulando, ambos pedindo para que nenhum estado palestino seja estabelecido e para que os árabes palestinos sejam pagos para sair e se estabelecer no país que escolherem, que não Israel. A ‘Iniciativa Israelense’ é de autoria de Benny Elon, membro do Knesset, e o outro vem da Cúpula de Jerusalém, de autoria de Martin Sherman, um professor da Universidade de Tel Aviv”.
 
Eu aplaudo esses esforços de pensamento criativo. O plano de Elon se assemelha à minha idéia da opção jordano-egípcia, exceto por focalizar a Jordânia exclusivamente, “como a única representante legítima dos palestinos” e envolve a soberania israelense sobre a Margem Ocidental, que é algo que eu não desejo. O plano da Cúpula de Jerusalém propõe um “generoso pacote de relocação e reassentamento” para que os palestinos deixem as áreas controladas por Israel; eu penso que esta idéia encontrará poucos adeptos.
 
Há líderes verdadeiros em Israel. Para mencionar apenas um deles: Moshe Feiglin. O que você diz dele?”.
 
Ele traz idéias importantes para o debate israelense, mas ele “não faz parte dos altos escalões da vida política de Israel”, para repetir o que eu disse em meu artigo, e, portanto, eu não o incluí em minha generalização.
 
Onde fica Benjamin Netanyahu, o líder do Likud, em tudo isso? Ele não é um falcão [belicista] que rejeita a idéia de ceder terra israelense por qualquer razão que seja?
 
Se eu votasse nas eleições israelenses, votaria nele em fevereiro. Dito isto, nós o vimos em ação como primeiro-ministro entre 1996 e 1999, e eu considero o seu mandato um fracasso (em contraste com a sua subsequente e breve passagem pelo Ministério das Finanças, que foi um sucesso). Em particular, eu lembro o seu fraco desempenho vis-à-vis Síria (que eu revelei num artigo de 1999, “O caminho para Damasco: O que Netanyahu quase entregou”). Talvez Netanyahu tenha amadurecido como um líder, mas o velho adágio “Engane-me uma vez e a vergonha é sua. Engane-me duas, e a vergonha é minha”, implica o Likud talvez querer recrutar uma cara nova.
 
Agora que o General (reformado) Moshe "Bogie" Ya'alon entrou para a política, eu acredito que há esperança para o futuro de Israel”.
 
Eu admiro Ya'alon e espero que ele tenha um posto importante no próximo governo. Ele chega tão perto da compreensão dos imperativos estratégicos do país quanto qualquer outro líder israelense. Por exemplo, quando perguntado sobre sua definição de vitória, Ya’alon respondeu que ela consiste de “uma profunda internalização, por parte dos palestinos, de que terrorismo e violência não nos derrotarão, não nos dobrarão”.
 
Mas, quando alguém examina de perto a sua análise principal, “Israel e os Palestinos: Uma Nova Estratégia”, Ya'alon não trabalha para obter tal vitória sobre os palestinos. Em vez disso, ele quer reformar a Autoridade Palestina de modo a que esta possa controlar melhor o território, efetivar o cumprimento da lei [polícia], fortalecer sua autoridade judicial, adquirir um espírito democrático e melhorar a qualidade de vida de sua população.
 
Convalescença econômica, um eficaz império da lei e a democratização são condições essenciais para a reabilitação da sociedade palestina”, escreve Ya'alon. Ele conclui dizendo que a reorganização da sociedade palestina de acordo com suas idéias “poderia servir, de maneira factível, como a base para um futuro acordo que concretizaria algumas das esperanças que ficaram atadas ao processo de Oslo”. Eu concluo, portanto, que o objetivo de Ya'alon não é a vitória mas uma outra tentativa de acomodação e resolução ao estilo Oslo.
 
“O que aconteceu com os israelenses, que deixaram de lutar com inteligência?”
 
Boa pergunta. Eu ofereci uma reposta há meio ano: “O estado judeu do início, estrategicamente brilhante, mas economicamente deficiente, foi substituído pelo seu inverso. Os mestres da espionagem de ontem, os gênios militares e pesos-pesados da política, aparentemente foram trabalhar em empresas high-tech, deixando o estado nas mãos de anões mentais, míopes e corruptos”.
Mas isso não explica toda a situação, que resulta de uma profunda mistura de fadiga e arrogância. As melhores análises deste problema são aquela feitas por Yoram Hazony, “O Estado Judeu: A Luta pela Alma de Israel” e por Kenneth Levin, “A Síndrome de Oslo: As Ilusões de um Povo Sitiado”.
 
“Daniel Pipes deveria tentar acalmar as tensões entre Israel e os seus vizinhos árabes”.
 
Tentativas de neutralizar tensões têm sido um foco central desde o acordo Quilômetro 101, de 1973. Elas fracassaram porque tentam usar de artifícios e estratagemas para obter uma conclusão decisiva ao conflito árabe-israelense. Eu sou a favor de uma conclusão decisiva, pois somente uma assim irá dar um fim ao conflito.
 
Tradução: Henrique Paul Dmyterko
Publicado originalmente na FrontPageMagazine.com,em 28/01/2009.

Também disponível em danielpipes.org
 

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