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Aonde isso tudo vai parar?

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Há alguma coisa cheirando mal por aqui. Há poucos dias, foi revelado que o governo britânico estava cancelando cinco licenças de exportação de peças para navios de guerra israelenses, cedendo à pressão de membros do Parlamento e de organizações de direitos humanos em função da operação israelense Cast Lead, em Gaza. A fumaça dessa revelação mal tinha se dissipado e já havia uma saraivada de alegações e afirmações, não verificadas e não substanciadas, de soldados israelenses não identificados acerca de atos estarrecedores durante a operação Cast Lead, recebendo o maior destaque nos boletins da BBC e na mídia britânica em geral. A despeito do fato de que tudo se baseava inteiramente em boatos e rumores, foi reportado como se fosse um conjunto crível de alegações*. É claro que isso já havia acontecido antes.

Tal como escrevi aqui em março último, o jornal de esquerda israelense, Ha’aretz, publicou histórias de horror semelhantes, isto é, contadas por soldados da IDF [Forças de Defesa de Israel] – e que se revelaram inverídicas, meras fofocas recicladas, de segunda ou terceira mão – ou apenas as opiniões pessoais de determinado soldado.

 
Que a BBC e a mídia britânica tenham veiculado as alegações não substanciadas da Breaking Silence [Rompendo o Silêncio, uma ONG britânica de direitos humanos] é, para ser suave, prova de jornalismo mal feito. Mas a verdadeira questão nisso tudo é que isso simplesmente não aconteceria se fosse a respeito de qualquer outro país, que não Israel. Se tais alegações fossem feitas acerca de soldados de outros exércitos, as redações dos jornais ficariam ou totalmente indiferentes, ou as avaliariam corretamente - ou seja, como alegações apresentadas por pessoas com uma agenda política, e as jogariam na cesta de lixo. Mas, quando se trata de Israel, alegações desse tipo transformam-se em munição para o processo de incitar o ódio contra esse país, deslegitimando-o ainda mais. (O StandWithUs divulgou relatos de soldados israelenses, não mais anônimos, que apresentam um quadro muito diferente daquele da Breaking Silence – relatos que eles sentem ser a tradução do exército no qual servem).
 
Agora o Jerusalem Post informa que a ONG Breaking Silence é financiada por vários governos europeus, inclusive o britânico. Portanto, os governos britânico e de outros países europeus financiam uma organização que difama Israel, assim lhes dando o pretexto para apertar e punir Israel com base na ‘pressão’ das organizações que eles mesmos financiam.
 
No que parece ser uma campanha coordenada, o relatório da Breaking Silence surgiu quase imediatamente depois de outros relatórios tendenciosos e injustos sobre Israel em Gaza, publicados no início de julho pela Human Rights Watch, Anistia Internacional e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha – todas elas ONGs que condenam Israel desproporcionalmente e que têm em Israel o seu alvo único quando se trata de distorção sistemática e descaracterização. E agora ficamos sabendo que a Human Rights Watch – cuja longa história de ímpeto anti-Israel foi analisado pelo NGO Monitor – tem buscado financiamento da... Arábia Saudita. Um artigo do Wall Street Journal reportou:
 
A delegação chegou com o objetivo de arrecadar dinheiro junto a sauditas abastados, ressaltando a demonização de Israel por parte da Human Rights Watch. Uma porta-voz da HRW, Sarah Leah Whitson, ressaltou as batalhas da HRW com “[o]s grupos de pressão pró-Israel nos Estados Unidos, na União Européia e na ONU”. [...] Aparentemente, a Sra. Whitson não encontrou tempo para criticar o poço sem fundo que é o histórico de direitos humanos da Arábia Saudita.
 
No The Atlantic, o diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth, se contorceu e estremeceu ao ser questionado sobre esse tema mas, a despeito de suas evasivas, os fatos permanecem. A Human Rights Watch estava buscando recursos financeiros daqueles que infringem os direitos humanos na Arábia Saudita e a fim de continuar a demonizar e deslegitimar Israel, por sua luta contra o terrorismo árabe e islâmico.
 
Essas são as pessoas a quem o governo britânico dá ouvidos, quando não está ele mesmo financiando ONGs que fazem o mesmo e repulsivo trabalho de difamação de um aliado na luta em defesa de um mundo livre.
 
E isso não é tudo. Um livro intitulado Israeli Apartheid: A Beginner’s Guide [Apartheid Israelense: Um Guia para Iniciantes], de autoria de Ben White, um evangélico anti-semita – que anteriormente escreveu: “Eu não me considero um anti-semita, ainda que possa entender por que alguns o são” – um emaranhado de erros, inverdades, distorções, citações falseadas e malícia sem freio, analisado aqui por Jonathan Hoffman, terá agora, tal como anuncia o blog de White, sessões de leitura nos Estados Unidos.
 
Enquanto isso, a obsessão do Guardian [jornal esquerdista britânico] contra Israel atinge ainda maior intensidade. Robin Shepherd, ao notar que hoje [17/07] o site do jornal apresentava não um, mas dois editoriais críticos a Israel, pergunta:
 
O Guardian está fora de controle?
 
E observa:
 
[…] Há sinais de que a militância anti-Israel está se tornando mais e mais ousada. A linguagem é mais agressiva. O tom é cada vez mais odiento. As analogias com o apartheid e o nazismo estão se tornando dominantes. A frequência dos ataques se intensifica. Tal como o embargo parcial de venda de armas anunciado pelo governo britânico nesta semana sugere, estão sendo feitas incursões [hostis a Israel] no campo da política pública. Aonde isso tudo vai parar?
 
É o que todos podemos perguntar.
 
*Atualização: O Jerusalem Post reportou a declaração de um comandante de brigada das IDF, explicando que o soldado que havia afirmado que as IDF usaram palestinos como escudos humanos não estava nem sequer em combate. Ele simplesmente repetiu o que tinha ouvido dizer que havia acontecido, durante a semana em que estava de folga.
 
Tradução: Henrique Dmyterko
 
Publicado originalmente no Spectator.co.uk/melaniephillips em 17/07/2009

 

 




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Comentários (3)
3 Sex, 07 de agosto de 2009 19:50
Jose Mello Campos

Solicite a tal karioka que leia mais os livros de Historia ( de autores não judeus, de preferencia ) que relatam a luta pela sobrevivencia de Israel na palestina, desde o inicio do seculo XX e a terrivel luta pela vida do estado judeu após a constituição do estado de Israel em 1948, e quem sabe essa karioka possa pedir desculpas e revelar o seu verdadeiro nome, o qual não o revela agora provavelmente por vergonha, por enviar um e mail sem nehuma base historica, e totalmente inveridico.

2 Qui, 23 de julho de 2009 11:42
José Novaes

A Da.Karioca "ishperrta" parece ser bem seletiva quando classifica todos os criadores do Estado de Israel como terroristas. Não se incomoda com os "ex"-terroristas ocupando ministérios no Brasil, nem com a omissão assassina de Kofi Anan em Ruanda, nem com os presos políticos em Cuba, etc, etc. Mas já estou também fugindo do tema do artigo. Cansei de ouvir a cantilena de que a imprensa era dominada pelos judeus sionistas. A Da. Karioca poderia explicar esse viés da BBC e do Guardian? Não, é pedir demais de quem nem sabe ler.

1 Qui, 23 de julho de 2009 11:13
Karioca

Israel comete inúmeros crimes de guerra, contra a humanidade e nenhuma resoluçãoda ONU foi respeitada até hoje. Uma nação criada por terroristas, que explodiram o hotel Rei Davi, onde 800 mil palestinos foram explulsos da sua terra e a colunista ainda diz que estão difamando Israel. Ora, só deve está achando que todos os leitores são apedeutas.


Prezado anônimo:


Para um sofista barato e aprendiz de difamador, só mesmo mandando mensagem com pseudônimo. De qualquer forma, para quem sabe ler, fica claro que seu comentário não têm nada a ver com o assunto abordado pela colunista do M@M, que é o viés difamador da imprensa britânica.


Editoria MÍDIA@MAIS


 


 

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