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Embriagado de uma espécie de patriotismo febril, ele entra em festas às quais não foi convidado e, a despeito de tirar fotos lado a lado com algumas das mais importantes celebridades do mundo contemporâneo, parece divertir-se sem perceber a dimensão de sua desimportância, de sua esperteza como mero fim em si mesma.

O Impostor está para a cultura de massas assim como Lula está para a política internacional: entrando sem ser convidado, fazendo piadas em uma língua obscura (que todos sabem ser parecida com o espanhol, mas ninguém sabe de onde vem), ele se contenta em roubar salgadinhos e fazer demagogia com vigias e faxineiros - repetindo sem dó platitutes como "todo africano é brother" e outras generalizações sem maior relevância. O populismo de ambos é, antes de um, um libelo desavergonhado contra apelos civilizatórios: sua arma diplomática é o escárnio que ninguém parece levar a sério. Afinal, ser convidado para algo é uma formalidade burguesa, primeiro-mundista, que tanto o Impostor quanto Lula se comprazem em ignorar.
 
Neste link você pode asssistir ao encontro entre essa dupla acidental de criador e criatura: http://www.youtube.com/watch?v=nH-_k1_uTUM.

Se não têm valor em si ou importância decorrente de méritos humanos consagrados pela civilização, tanto Lula quanto o Impostor têm ao menos uma relevância inquestionável: o sucesso de ambos é a maior prova de que o Brasil tornou-se um país onde não é necessário qualquer qualidade humana para se dar bem - basta enfiar o pé na porta e aparecer.

 
Comentários (1)
1 Ter, 20 de julho de 2010 11:55
Blücher

"[O] o Brasil tornou-se um país onde não é necessário qualquer qualidade humana para se dar bem - basta enfiar o pé na porta e aparecer". Triste, trágica, mas perfeita a síntese.

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