Pessoalmente jamais me decepcionei com o governo Lulla. Aliás, tendo a manifestar uma certa irritação quando ouço alguém dizer que está decepcionado porque surgiu mais alguma peça do rosário de escândalos, ou porque os mais notórios
coronelões da velha política nele estão abrigados, ou porque o
falastrão-mór deu mais algum dos seus espetáculos grotescos ou, ainda, porque, apesar de ser um grande líder, mais uma vez não sabia de nada.
Acho até que já passei dos limites sugerindo a uns e outros que leiam o artigo que escrevi logo após a primeira eleição da figura, em que me autodenominava “o chato da festa”.
Agora, novamente, uma porção de gente se mostra perplexa com o descaramento embutido no tal Plano Nacional de Direitos Humanos, onde, atrás de um linguajar que chega a ser nauseante, se propõe o atropelo de todo o ordenamento político e jurídico e uma espécie de sovietização jeca do Brasil. Tanto os idiotas por inocência como os idiotas por conveniência, outra vez, estão decepcionados. Que coisa!
Se nomearmos um cafetão para comandar uma paróquia, não há por que estranhar nada do que virá a acontecer na sacristia e no presbitério. É muito provável que ele mantenha as aparências do local e as suas rotinas básicas, para que os paroquianos não fiquem logo indignados; distribua bênçãos com grande generosidade; seja extraordinariamente brando nas penitências; faça homílias um tanto exóticas, consideradas mais próximas da “linguagem do povo”. O cavalheiro poderá usar batina, citar os evangelhos e até participar das procissões. Terá especial gosto em recolher as oferendas, mas dificilmente escapará à natureza dos seus verdadeiros dotes e valores. Recomendo às donzelas não irem ao confessionário. A paróquia poderá parecer bem, principalmente se o sacristão for zeloso, mas caminhará inexoravelmente para novos rumos, pouco a pouco, dependendo da credulidade dos fiéis.
Quando se coloca no comando de uma democracia representativa gente que não tem fé na coisa, não há por que estranhar que, passo a passo, os rumos sejam alterados. As razões alegadas para fazê-lo sempre serão sublimes, voltadas para um modelo supostamente mais puro, dentro da conhecida técnica de contrapor as maravilhas pretendidas às imperfeições da realidade.
A natureza profunda do PT é totalitária. Da mesma forma os círculos intelectuais que o rodeiam, a maior parte da velha guarda que o formou, os “movimentos” com que interage e assim por diante. Não há que estranhar o fato de que cumpram os rituais do Estado de Direito, tanto quanto possível nas aparências, mas procurem ser criativos na maneira de mudar os fundamentos do processo político. Eles não têm fé em democracia representativa; têm predileção pelos métodos cooptativos e bolcheviques a que dão o nome de “democracia participativa” e são, na melhor das hipóteses, devotos de Rousseau, aquele “intelectual orgânico” que escrevia sobre educação enquanto seus filhos mofavam e morriam num orfanato. Nesse ponto, o nosso apedeuta é bem superior: não escreve nada, alega que também não lê (nem o que assina), mas seu filho, corado e rechonchudo, se torna um fenômeno do mundo dos negócios.
Por trás daquele linguajar horroroso, ligeiramente parecido com a língua portuguesa, o que o dito Plano de Direitos Humanos do governo Lulla propõe é, antes de tudo, preparar o terreno para o governo Dilma (que Deus nos proteja) com uma reforma constitucional total, não via Parlamento, mas pela deformação da linguagem, dos conceitos e a implantação de métodos “populares”. Diriam alguns que é a nossa cópia do roteiro chavista, mas, na verdade, assim como no caso do paraquedista venezuelano, trata-se apenas de uma versão B da conhecida ascensão totalitária vista e revista no século passado.
Bons articulistas, como Reinaldo Azevedo, Percival Puggina, Ricardo Vélez e outros já esmiuçaram as maravilhas do texto, portanto não há muito o que acrescentar:
- Para o Legislativo é proposta, definitivamente, a irrelevância. Já não basta comprá-lo em lotes;
- O Judiciário ficaria obscurecido pelas comissões populares. Já não basta praticar, nos tribunais, o “direito achado nas ruas”;
- As garantias da propriedade, particularmente as rurais, passariam a ser mais frágeis do que no “estado de natureza” hobbesiano. Dependeriam, praticamente, de não haver quem queira tomá-la. Se houver quem queira, vamos discutir o assunto.
- A imprensa e outros meios de comunicação passariam a ser controlados e patrulhados. Já não bastam os petralhas e filopetralhas que poluem todas as redações, nem se trata, simplesmente, de instalar a censura, como tem sido dito. É muito mais do que isso. Durante os governos militares houve censura extensa: começaram vedando as notícias que diziam respeito à luta armada e acabaram se metendo até em letra de samba, mas nunca houve efetivo “controle”. Na proposta lulo-petista até a linguagem seria patrulhada, através de um conjunto de gratificações e punições. Um herege como Diogo Mainardi, por exemplo, seria banido no primeiro artigo publicado, por crimes verbais de lesa-humanidade.
Há quem se tranquilize alegando que, escritas ou não, essas coisas jamais serão praticadas. Será? Nem é preciso, basta a insegurança que geram para fazer um enorme estrago.
Apesar de já ter ocorrido um recuo tático, o que mais claramente retrata a mentalidade que preside a estrovenga é a insistência em tentar abolir unilateralmente a anistia concedida em 1979, que as esquerdas quiseram “ampla, geral e irrestrita” porque, à época, era duvidosa a concessão do benefício aos enquadrados em crimes de sangue. Cultivam um ódio irrevogável e um revanchismo persistente depois da surra sofrida há 40 anos atrás. É como se, num conflito bélico, um dos lados, encurralado, levantasse a bandeira branca. Feita a trégua e negociada a paz, muito tempo depois, bem armados e em posição favorável, decidissem que o acordo não valeu, que foram anistiados, mas não anistiaram e, portanto, devem punir os antigos oponentes. Já não bastam as indenizações milionárias obtidas com os mais tortuosos argumentos; é preciso obter vingança até dos que abriram mão dela no passado e reescrever a história. Para isso, não se pejam, sequer, da ridícula denominação “orwelliana”, revivendo o Ministério da Verdade da célebre utopia “1984”. Faz parte do prestígio que os nossos bolcheviques tardios pretendem ter em certos círculos internacionais, como os que protegem humanistas do tipo do assassino italiano que Lulla ainda mantém, esperando a poeira baixar ou uma oportunidade para ele “fugir”.
Uma pena que nesse governo ninguém leia, mas todo mundo assine, tanto o grande estadista como a Maga Patalójika, que quer ser presidente da república.
Não é de se admirar, um sociólogo, confundir cultura com inteligência... sendo a 1ª um acúmulo de conhecimentos e a 2ª, um Dom do Criador. Quem sabe perguntamos ao Dep. Serraglio (PR) a conclusão do seu Relatório na CPI do "Mensalão". Porque não perguntamos ao Sr Roberto Jefferson o destino dos R$ 4 milhões que declarou ter recebido. Devolveu? Quem foi o chefe do "Mensalão? Que mensalão...!? Lula teria que saber, o que o Sr. Serraglio, relator, não conseguiu comprovar? O que não devemos nos decepcionar é com o "Outro", sociólogo, com phd na Sorbone, não ter conseguido em 8 anos fazer 1/10 do que o "Idiota" e analfabeto do Metalúrgico fez !!! Eu, me orgulho de estar no rol dos 97% e lamento quem se sinta nos 3%
Ah, que bonitinho...
Vai, cachorrinho petista, vai lamber as mãos do patrão, vai, totó.
E não acostuma não, viu, lacaiozinho ridículo, que seu comentário só foi publicado para que nossos leitores vejam o nível a que chegam os cachorros de estimação do petismo.
Editoria MÍDIA@MAIS
Concordo com o artigo e com o raciocínio. Não há como alguém um pouco mais lúcido que a maioria alérgica à leitura ter alguma surpresa com o desgoverno do sr. Lullalánãosei. Se houver tempo, consultem o meu blog: ricabdo.blogspot.com antes que eu seja preso!!!!!!!!!!!!!!
Sensacional....parabéns pelo trabalho.
Zamboni
A teoria da conspiração é também um clichè para desmoralizar a concatenação dos fatos. Mas não tira sua razão quanto ter cuidado.
Mas é preciso ver que a teoria do Imperialismo formulado basicamente sobre uma falha de Ricardo, é a negação do capitalismo e consequentemente, uma política que o governo americano segue até hoje que tende a favorecer o socialismo. o explica muitos "absurdos", como de Woodrow Wilson, FDR até obama, entre outros.
O Traço caracteristíco de nossa época permanece sendo o mesmo:capitalismo versus socialismo. Quem é contra o capitalismo tende inevitavelmente a favorecer a política socialista.
Caro Gomes:
Quando eu me referi a expressão "teoria da conspiração" foi no sentido de que teses sérias, mas que soam como fantásticas devido ao seu desconhecimento pelo grande público, podem acabar sendo misturadas com teorias francamente absurdas, tornando-se na melhor das hipóteses desinformação e diluindo a importância do assunto inicial num confuso caldeirão de idéias. Concordo sim que há uma infinidade de fatos na geopolítica internacional envolvendo as grandes potências que vai muito além dos clichês tradicionais, que se fossem devidamente estudados e analisados levariam a uma mudança na percepção da realidade.
E o trabalho do professor Sutton talvez seja um dos mais sérios nesse sentido.
Um abraço e continue participando do MÍDIA@MAIS
Paulo Zamboni
Caro Zamboni Nos 2º sites tem os três livros de Sutton e mais o The Insiders de John F. McManus.
Mas há algumas bibliotecas on line com livros em pdf gratuitos e muitos esclarecedores, seguindo este link:http://mises.org/books/Fabian_Freeway_Martin.pdf, http://mises.org/books/twenty_year_revolution.pdf,http://mises.org/books/century.pdf.
Mas este aqui dou uma especial atenção http://mises.org/books/historyofmoney.pdf, particularmente a partir da pg.209. O imperialismo e o socialismo andam de mãos juntas. Sem o imperialismo americano não existiriam Russia,Coreia,China,Cuba e a lista é longa.....
Prezado Gomes
grato pelo envio das fontes.
É necessário analisar com muita calma as informações disponíveis sobre este tema, que são virtualmente infinitas,confusas e tendem a descambar para teorias da conspiração com muita facilidade. Entretanto, realmente, a priori, fico tentado a concordar com a idéia que o socialismo internacional, o comunismo e o nazismo são em grande parte resultado da ação das mesmas forças que lançaram os EUA em ações externas termerárias, além de gradualmente terem transformado a política interna norte-americana numa disputa de despreparados e demagogos, dos quais Barack Obama sem dúvida alguma é o auge.
Mas como já foi dito, pretendemos voltar o assunto Antony Sutton em breve, tentando ajudar os leitores a compreender melhor o tema.
Um grande abraço e continue participando do MÍDIA@MAIS
Paulo Zamboni
Neste link o livro "the best enemy the money can buy" de Antony C. Sutton http://www.reformed-theology.org/html/books/best_enemy/
Com relaçao ao site www.4acloserlook.com onde se pode encontrar os três livre de Antony Sutton, está offline, para mim inexplicavelmente.
Alô Zamboni e Evelin, dois livros do Antonio C. Sutton podem ser baixado em pdf deste link http://www.4acloserlook.com/bolshevik.pdf http://www.4acloserlook.com/hitler.pdf
Caro Gomes
obrigado pela dica.
Se não estou enganado outro livro dele também está disponível on line - The Best Enemy Money Can Buy
Como os livros estão todos em inglês, uma parte considerável do público acaba ficando sem acesso as informações do professor Sutton.
Pensando nisso, em breve o MÍDIA@MAIS estará abordando seu trabalho, de grande importância para o público entender muitos dos porquês de determinadas situações da política internacional que aparentemente são incoerentes, mas que à luz do que revela Sutton, começam a fazer muito sentido.
Um abraço e continue participando do MÍDIA@MAIS
Paulo Zamboni - Editoria MÍDIA@MAIS
Que tal essa excelente revista eletrônica divulgar o vídeo "Prof. Antony Sutton: Wall Street and the rise of Hitler" integral, nas suas cinco partes, que está disponível no You Tube? É muito importante que os leitores dessa revista assistam a essa entrevista histórica. Espaço para tal já existe: é a sessão Vídeos Recomendados. Estou esperando!
Meus caros, recomendo a leitura de ótimo artigo da Revista The Economist chamado: The almost-lost cause of freedom que destaca é claro o nosso Fórum da Liberdade e nosso patrono, Jorge Gerdau Johannpeter! o link é: http://www.economist.com/node/15393723
Excelente o comentário de João Nemo, que é original porque põe a nu a tática macunaímica de não-dizer dizendo e de fazer criando mixórdia, típica do populismo lulista. E obrigado ao João Nemo por mencionar o meu nome. Sou anti-Lula da primeira hora, ou seja, desde 1979. Jamais acreditei no sujeito.
Embora o escopo do ótimo artigo do sr. Nemo seja outro, a interessante citação da leitora e do editor do site ao trabalho do Dr. Sutton me fez pensar porque o Mídia@Mais não apresenta alguma matéria sobre sua obra, talvez uma resenha ou tradução? Um abraço e parabéns pelo trabalho.
Não posso comentar com propriedade a obra de Sutton, que só conheço de referências de segunda mão, mas o excelente Paul Johnson, no seu "Tempos Modernos", relata fatos bem documentados que demonstram o quão frágil é essa dicotomia (esquerda x direita) na prática. Mas os auto-proclamados "de esquerda" fazem uma questão absoluta dela, talvez por imposição da sua dialética vulgar: bons versus maus; avançados versus atrasados e assim por diante. Até o velho Norberto Bobbio, que se situava entre os que, na Itália, se denominam "socialistas liberais"(?), saiu a campo há umas duas décadas atrás para defender a diferenciação teórica dessas duas posturas.
Quanto aos episódios históricos em que o grande capital procurou se abrigar, confortavelmente, à sombra de uma tirania com qualquer rótulo e colaborou com elas, eles de fato são numerosos.
Só que o artigo não discute esquerda versus direita. Se Lulla e sua galera se declarassem de direita, de cima, de baixo ou muito pelo contrário, isso não mudaria em nada a essência das manobras de centralização de poder em curso. Continuariam sendo o que são: solapamento da democracia representativa com viés tipicamente totalitário. Um populista está para um déspota como um sedutor de mau caráter está para um estuprador: é só uma questão de meios e de possibilidade, mas o objetivo é o mesmo.
Falando em Esquerda versus Direita, que tal vocês colocarem na sessão de Vídeos os cinco vídeos da entrevista concedida pelo historiador e economista Antony Sutton (está no You Tube) sobre o financiamento que Hitler e seu partido rececebeu dos banqueiros de Wall Street? Infelizmente esqueci o título. Sutton escreveu livros de História que ultrapassam a falsa dicotomia Direita versus Esquerda, ele também demonstrou que Wall Street e outras grandes corporações americanas financiaram a Revolução Russa e o parque industrial bélico da URSS. O resultado dessas pesquisas ousadas foi ele ter sido implacavelmente perseguido, depois da sua derradeira entrevista (no verão de 1980) ele nunca mais pode aparecer publicamente. Por quê será?
Prezada Evelin:
Obrigado pelo seu contato.
As obras do Professor Sutton são de extrema importância, servindo para desmascarar muitos mitos que cercam a "Guerra Fria" e a Segunda Guerra Mundial. Dentre os trabalhos de Sutton destacam-se The Best Enemy Money Can Buy, Wall Street and the Bolshevik Revolution e Wall Street and the rise of Hitler. Muito longe de ser "teoria da conspiração" o conteúdo dos livros de Sutton é facilmente comprovado por inúmeras fontes secundárias, consistindo em grande parte numa imensa tarefa de "ligar os pontos", formando um quadro que foge do senso comum tanto a esquerda quanto a direita.
De fato são obras muito interessantes, e mesmo sendo dos anos 1970, merecem toda a atenção dos leitores que buscam uma visão diferenciada de um período histórico marcante. Um livro mais recente que aborda tema parecido é Dossie Armand Hammer, sobre o bilionário americano que foi ligado durante toda a vida aos soviéticos e que tinha "no bolso do paletó" para seus esquemas, dentre outros, o pai do atual "salvador do mundo" Al Gore.
Continue prestigiando o MÍDIA@MAIS com suas visitas e comentários.
Um abraço
Paulo Diniz Zamboni - Redação MÍDIA@MAIS