Amaioria das pessoas que conhecem a história de Josef K., o personagem central do livro O Processo, do tcheco Franz Kafka, imagina que não pode haver maior disparate do que a historia absurda do bancário. Daí a expressão kafkaniano, usada para qualificar qualquer situação contrária ao bom senso, difícil de entender e aceitar, evocando uma atmosfera de pesadelo, de irracionalidade, especialmente em um contexto burocrático, que escapa a qualquer lógica ou coerência (diz-se de situação, obra artística, narração etc.). Ao terminar a angustiante narrativa talvez o leitor suspire aliviado pensando: “Isto é apenas uma obra de ficção, não é possível no mundo real”. Está redondamente enganado o leitor que assim pensar - o Brasil, há muito, reinventou o kafkanismo. Aqui, na República das Bananas, o cidadão decente, cumpridor da lei se vê, com indesejável frequência, enfrentando situações dignas do pesadelo do burocrata Josef K.










